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Timor-Leste defende reavaliação da forma como o uso do veto afeta a paz global

Timor-Leste defende reavaliação da forma como o uso do veto afeta a paz global

O Representante da Missão Permanente de Timor-Leste junto da Organização das Nações Unidas (ONU), Dionísio Babo. Fonte governamental

DÍLI, 21 de novembro de 2025 (TATOLI) — O Representante da Missão Permanente de Timor-Leste junto da Organização das Nações Unidas (ONU), Dionísio Babo, enfatizou, esta quinta-feira, em Nova Iorque, durante o debate da Assembleia Geral do Conselho de Segurança, a importância da Iniciativa do Veto para o reforço da responsabilização da organização.

Segundo um documento governamental a que a Tatoli teve acesso, a recente utilização do veto numa resolução sobre uma crise humanitária demonstra a necessidade urgente de se reavaliar a forma como este poder afeta a paz global e a credibilidade das instituições multilaterais.

Timor-Leste recordou a sua própria experiência de conflito e reconstrução e sublinhou que a estrutura do veto, criada há oito décadas, já não reflete a realidade internacional atual.

Destacou ainda que vetos repetidos — incluindo o imposto a uma resolução relacionada com Gaza em 2025 — têm travado respostas rápidas em situações de emergência, prejudicando a legitimidade do Conselho de Segurança e deixando populações vulneráveis sem proteção.

Dionísio Babo referiu o crescente impulso internacional para uma reforma abrangente, citando iniciativas como o processo “UN 80”, o “Pacto para o Futuro 2025”, a proposta franco-mexicana de restrição ao veto e o Código de Conduta do grupo ACT.

Timor-Leste destacou também o apelo africano à representação permanente e outras propostas que visam um Conselho mais alargado e equilibrado regionalmente, incluindo ideias como a exigência de múltiplos vetos ou mecanismos que permitam à Assembleia Geral ultrapassar bloqueios.

No final da intervenção, Dionísio Babo apresentou quatro recomendações prioritárias: restrição obrigatória ao veto em situações de crimes atrozes; aumento do número de membros do Conselho de Segurança, incluindo novos assentos permanentes; maior transparência no uso do veto; e aceleração das negociações textuais para alcançar uma reforma até à 81.ª sessão da Assembleia Geral.

Segundo o diplomata, estes passos são essenciais para restaurar a confiança no multilateralismo e garantir que o Conselho de Segurança responda de forma eficaz às crises que afetam as comunidades mais vulneráveis.

Notícia relacionada: Timor-Leste avança na integração jurídica regional

Equipa da Tatoli

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