DÍLI, 18 de novembro de 2025 (TATOLI) – A Representante do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) em Timor-Leste, Navchaa Suren, afirmou que as normas sociais, culturais e de género, bem como a dinâmica de poder no seio da família influenciam a capacidade das mulheres para procurar cuidados médicos.
A afirmação foi proferida durante um workshop sob o tema Perspetivas comportamentais para reduzir a mortalidade materna em Timor-Leste, promovido pelo Ministério da Saúde (MS), que teve hoje lugar no Hotel Timor. A iniciativa foi realizada em parceria com o UNFPA e com o Departamento dos Negócios Estrangeiros e do Comércio da Austrália, reunindo profissionais de saúde e líderes comunitários.
A responsável afirmou que a distância entre as unidades de saúde e os locais onde vivem as comunidades, bem como a falta de ambulâncias, de informação ou de conhecimento são também algumas das barreiras no acesso aos cuidados de saúde.
Navchaa Suren sublinhou que estes fatores estão interligados com a elevada taxa de mortalidade materna no país. “Timor-Leste tem registado progressos significativos na melhoria da saúde sexual e reprodutiva, incluindo a saúde materna. No entanto, a taxa de mortalidade materna mantém-se nos 195 por mil nados-vivos, um número considerado elevado. Cada morte materna não é apenas a trágica perda da vida de uma mulher, mas também uma grande perda para a sua família e para a comunidade”, referiu.
De acordo com um estudo feito pelo UNFPA, cerca de metade dos partos em Timor-Leste ocorrem em casa e mais de 50% das mulheres continuam a enfrentar barreiras no acesso aos serviços essenciais de saúde materna.
Segundo Navchaa Suren, a situação é provocada não só pela falta de ambulâncias e pelo mau estado das vias – que dificulta a deslocação para as unidades de saúde –, mas também pela falta de conhecimento sobre a importância de um acesso adequado a cuidados médicos.
A dirigente ressalvou a importância de iniciativas que incentivem comportamentos de cuidado, reforcem a participação no pré-natal e sensibilizem para a importância de procurar ajuda especializada ao primeiro sinal de perigo para ajudar não só as mulheres, mas também para contribuir para a redução da mortalidade materno-infantil.
O evento contou com a presença do Diretor-Geral de Política, Planeamento, Cooperação e Desenvolvimento da Saúde, Florindo Gonzaga, de profissionais de saúde e de líderes comunitários.
Notícia relevante: Equipa médica de Singapura dá formação em cuidados de saúde primários
Jornalista: Ivonia da Silva
Editora: Isaura Lemos de Deus




