DÍLI, 29 de setembro de 2025 (TATOLI) – O Representante da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Timor-Leste, Arvind Mathur, destacou a necessidade de todas as pessoas mordidas por cães ou outros animais iniciarem de imediato o tratamento com a vacina antirrábica.
A afirmação surgiu no âmbito da celebração do Dia Mundial da Raiva, assinalado a 28 de setembro, este ano sob o tema Vamos Agir Agora: Tu, Eu, a Comunidade, que apela à ação imediata de todos para prevenir a doença.
“Neste Dia Mundial da Raiva, recordemos que, embora a raiva seja fatal, é também 100% prevenível. Se for mordido, lave imediatamente a ferida com água e sabão durante 15 minutos e dirija-se a um centro de saúde. É essencial iniciar a vacina antirrábica sem demora e completar todo o esquema de vacinação”, referiu Arvind Mathur, num comunicado a que a Tatoli teve acesso.
O dirigente recordou que, em março do ano passado, o país registou a primeira vítima mortal, em Oé-Cusse, uma jovem de 19 anos. Dezoito meses depois, o número subiu para 16, depois da propagação da doença a sete municípios.
Perante esta situação, o Governo declarou em junho a emergência de saúde pública e o Ministério da Saúde (MS), com apoio da OMS, “agiu rapidamente para responder ao problema, recorrendo a especialistas regionais”, afirmou Mathur.
A prioridade passou por garantir vacinas. No ano passado, a OMS forneceu seis mil doses da Vacina Antirrábica Humana (VAR) e mil de Imunoglobulina Antirrábica. Este ano, devido ao aumento das necessidades, foram mobilizados mais recursos: a Indonésia doou vacinas, que chegaram de Kupang a Díli, no passado mês de julho, após um processo complexo de coordenação e transporte.
“Em agosto, a OMS adquiriu mais dez mil vacinas da VAR e mil de Imunoglobulina Antirrábica, já distribuídas pelos municípios. O ministério, com apoio da OMS, pediu ainda à Índia mais dez mil vacinas da VAR e duas mil de Imunoglobulina Antirrábica”, acrescentou.
O representante da OMS sublinhou, no entanto, que as vacinas, embora essenciais, não são suficientes para travar a raiva. É preciso um plano integrado que uma a saúde humana e animal. Nesse sentido, foi criado o primeiro Plano Estratégico Nacional de Controlo da Raiva — “O Caminho para Zero” — elaborado pelo MS, em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária, Pescas e Florestas e com o apoio de parceiros internacionais.
“Este plano já está em prática: melhoria da distribuição e gestão das vacinas, reforço da vigilância de mordeduras e casos humanos, e campanhas de sensibilização. Foram produzidos 90 mil panfletos e manuais de formação para professores e profissionais de saúde, com conteúdos sobre raiva incluídos no pacote de cuidados primários. Nas escolas, as crianças aprendem a evitar cães agressivos e a procurar ajuda em caso de mordedura”, concluiu Arvind Mathur.
Notícia relevante: Raiva mata 16 pessoas desde o início de 2025
Jornalista: Ivonia da Silva
Editora: Isaura Lemos de Deus




