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Flávia Martins: Língua portuguesa é pilar da soberania e da identidade nacional

Flávia Martins: Língua portuguesa é pilar da soberania e da identidade nacional

A docente de Língua Portuguesa do Departamento de Comunicação Social da UNTL Flávia Martins marcou presença na entrevista exclusiva da Tatoli, no Farol, em Díli, no âmbito das celebrações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, assinalado anualmente a 5 de maio. Foto:Tatoli

DÍLI, 14 de maio de 2026 (TATOLI) – A docente de Língua Portuguesa do Departamento de Comunicação Social da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL) Flávia Martins afirmou que a língua portuguesa continua a desempenhar um papel estratégico na consolidação da identidade nacional, da soberania e do desenvolvimento educativo e diplomático de Timor-Leste.

As declarações foram feitas durante uma entrevista exclusiva à Tatoli, no Farol, em Díli, no âmbito das celebrações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, assinalado anualmente a 5 de maio.

A docente recordou que a língua portuguesa, consagrada no artigo 13.º da Constituição juntamente com o tétum, representa um património do Estado timorense e um elemento central da história nacional. “A língua portuguesa desempenha uma função estratégica e fundamental como símbolo da soberania do Estado, do Governo, do Parlamento Nacional e dos Tribunais”, afirmou.

Flávia Martins lembrou que o português esteve presente em três períodos marcantes da história de Timor-Leste: durante a administração portuguesa, ao longo de cerca de 450 anos; no período da ocupação indonésia, como língua da resistência; e após a restauração da independência, como língua oficial do país.

“Durante a ocupação indonésia, a língua portuguesa serviu de meio de comunicação entre a frente armada, a frente clandestina e a frente diplomática”, explicou.

A docente sublinhou ainda que o português continua a fortalecer as relações diplomáticas entre Timor-Leste e os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), funcionando como uma ponte de cooperação nas áreas do comércio, do investimento, da educação e das relações internacionais.

Relativamente ao sistema educativo, Flávia Martins considera que o português desempenha um papel importante desde o ensino básico até ao ensino superior, incluindo programas de formação dirigidos a funcionários públicos.

Contudo, reconheceu que persistem vários desafios no ensino e na aprendizagem do idioma, sobretudo ao nível da falta de materiais didáticos e da necessidade de se reforçar a formação pedagógica dos professores.

A docente defendeu também que as universidades têm a responsabilidade de valorizar e expandir o uso do português no ambiente académico. No caso da UNTL, explicou que a instituição continua a incentivar os docentes a lecionarem em português.

Flávia Martins referiu que os jovens estão agora mais motivados para aprender e praticar a língua portuguesa, sobretudo por reconhecerem as oportunidades profissionais e académicas associadas ao domínio da língua.

“Muitos jovens perceberam que a língua portuguesa pode abrir caminhos para o futuro, tanto na carreira profissional como no acesso ao ensino superior e ao mercado de trabalho nos países da CPLP”, disse.

A académica salientou igualmente que o domínio da língua portuguesa constitui “uma vantagem competitiva para os timorenses no mercado de trabalho, particularmente nas áreas da administração pública, da justiça, do jornalismo e da diplomacia”.

No que diz respeito ao papel dos órgãos de comunicação social, Flávia Martins considera que estes têm uma responsabilidade importante na promoção da língua portuguesa através da divulgação de notícias, entrevistas, debates e programas em português, elogiando o trabalho desenvolvido pela Tatoli na publicação de conteúdos naquele idioma.

A docente defendeu ainda a necessidade de o Governo criar medidas permanentes e consistentes para incentivar o uso da língua portuguesa na administração pública, no sistema educativo e nos discursos oficiais.

É de lembrar que o dia 05 de maio é o Dia Mundial da Língua Portuguesa. A data foi decidida em 2009 pela CPLP e depois confirmada em 2019 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, tornando a data oficial no calendário das Nações Unidas. O Dia 5 de maio é o dia de união e de comunicação entre os mais de 270 milhões de falantes de português nos nove países de língua oficial portuguesa.

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Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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