DÍLI, 04 de setembro de 2025 (TATOLI) – O Presidente da República (PR), José Ramos-Horta, participou, na 2.ª Conferência Nacional sobre Educação de Infância, sob o tema Investir na Educação Pré-escolar Hoje para um Amanhã Mais Brilhante, destacando que o evento reflete o “compromisso em proporcionar a cada criança o melhor começo possível na vida”.
“Durante os primeiros cinco anos de uma criança, formam-se mais de um milhão de novas conexões neurais a cada segundo. Nessa altura, 90% da arquitetura cerebral já está estabelecida, tornando este período a fase mais crítica para a aprendizagem e o desenvolvimento”, referiu o Chefe de Estado, no Salão Oka, em Surikmas, Díli.
O PR afirmou que a Educação da Primeira Infância (EPI) é, por isso, o alicerce sobre o qual se constrói toda a aprendizagem, o bem-estar e o sucesso futuros, frisando que a EPI dota as crianças de competências cognitivas e socioemocionais essenciais.
“Quando as crianças crescem em ambientes que garantem saúde, segurança e acesso a uma educação de qualidade, têm maior probabilidade de alcançar o seu pleno potencial e de se tornarem contribuintes ativos para a vida social, económica e cívica. A EPI não é apenas uma questão de política educativa, é uma estratégia fundamental para promover a equidade, fomentar o crescimento inclusivo e impulsionar o desenvolvimento sustentável”, disse.
Ramos-Horta realçou que as evidências são claras e convincentes, sublinhando que o investimento na primeira infância gera os maiores retornos de qualquer despesa pública.
“Por cada dólar investido, obtém-se um retorno de até treze dólares. Não se trata apenas de um investimento poderoso, é o mais transformador que uma nação pode realizar no seu próprio futuro. Contudo, o panorama global revela tanto avanços como estagnação”, informou.
O Chefe de Estado adiantou que o Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de 2025 indica que dois terços das crianças entre 24 e 59 meses estão a desenvolver-se de forma adequada, sem diferenças significativas de género.
Ramos-Horta considera que, para Timor-Leste, este é um momento de oportunidade única defendendo que a população é uma das mais jovens do mundo, com mais de 41% constituída por crianças e 159.862 com menos de cinco anos.
“Um dividendo demográfico não é uma garantia, é uma oportunidade que deve ser aproveitada com investimento adequado, estratégico e sustentável. Temos razões para nos orgulhar. Em Timor-Leste, o acesso à educação pré-escolar para crianças dos 3 aos 5 anos tem vindo a aumentar de forma constante”, lembrou.
Segundo o Chefe de Estado, atualmente, o país alcançou uma Taxa Líquida de Escolarização de 32%, isto significa que 33.501 crianças estão matriculadas em programas pré-escolares, 3.592 frequentam pré-escolas comunitárias e 3.500 participam em programas de preparação escolar.
O PR acrescentou que, no total, 39.765 crianças, de um universo estimado de 110 mil nesta faixa etária, têm hoje a oportunidade de beneficiar de aprendizagem precoce, frisando que estes “não são apenas números, são os rostos do futuro: crianças em pré-escolas comunitárias e em programas intensivos que estão já no caminho de um amanhã mais promissor”.
“E, no entanto, devemos ser francos quanto aos desafios que persistem. Muitas das nossas crianças, especialmente em áreas rurais e remotas, continuam sem acesso a qualquer forma de educação pré-escolar. Os nossos professores, os heróis silenciosos das comunidades, precisam de mais formação, apoio e reconhecimento. As nossas infraestruturas estão sobrecarregadas e os recursos permanecem limitados”, sublinhou.
Para o Chefe de Estado, a aprendizagem fundamental refere-se às competências essenciais adquiridas na primeira infância e nos primeiros anos do ensino primário, constituindo a base de toda a educação e desenvolvimento pessoal futuro.
“Vai além da frequência escolar e foca-se no que as crianças realmente aprendem e conseguem fazer. Estas competências nucleares incluem literacia básica (ler e escrever), numeracia (compreender e aplicar conceitos matemáticos simples) e capacidades socioemocionais como a autorregulação, a curiosidade, a persistência e o trabalho em equipa. Uma aprendizagem fundamental sólida é crucial, porque possibilita a aprendizagem ao longo da vida, a adaptabilidade e o sucesso futuro”, referiu.
Segundo Ramos-Horta “a nível social, competências básicas fracas limitam o crescimento económico, reduzem a produtividade e aumentam o desemprego. Investir na aprendizagem fundamental para fortalecer o capital humano, promover o desenvolvimento sustentável e impulsionar a prosperidade nacional, tornando-se assim uma prioridade absoluta para Governos em todo o mundo”, concluiu.
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Jornalista: Ivonia da Silva
Editora: Isaura Lemos de Deus




