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INTERNACIONAL

‘Mulher – vida – liberdade’ é slogan que valeu Prémio Nobel da Paz a iraniana Narges Mohammadi

‘Mulher – vida – liberdade’ é slogan que valeu Prémio Nobel da Paz a iraniana Narges Mohammadi

Narges Mohammadi (Fonte: site Turan.az)

DÍLI, 07 de outubro de 2023 (TATOLI) – Castigo de 154 chicotadas, 13 detenções arbitrárias, 31 anos de prisão e um só Prémio Nobel da Paz é a aritmética a que foi sujeita Narges Mohammadi pela sua luta contra a opressão das mulheres no Irão e em prol dos direitos humanos e da liberdade para todos. Narges Mohammadi soube do galardão entre as quatro paredes da cela sobrelotada de uma prisão iraniana, para onde foi enviada pela “polícia moral” daquele país.

“Zan – Zendegi – Azadi” (Mulher – Vida – Liberdade é o slogan que os apoiantes da nobelizada usam para caracterizar a ação de Narges Mohammadi em prol dos direitos humanos, especialmente no combate à opressão de raparigas e mulheres sob o regime talibã iraniano. Foi numa manifestação em defesa daquele slogan que, no ano passado, 551 manifestantes, incluindo 68 crianças e 49 mulheres, foram mortos e milhares foram feridos pelas forças de segurança iranianas na aplicação das regras altamente restritivas da “polícia moral”. Calcula-se que cerca de 20 mil pessoas estejam detidas em cárceres e estima-se que, só desde janeiro de 2022, mais de 860 prisioneiros tenham sido condenados à pena de morte.

De facto, no Irão, desde a implementação do regime talibã, logo após da saída dos Estados Unidos da América, as restrições impostas às mulheres aumentaram expressivamente, desde práticas de submissão total aos maridos (física, psicológica e sexual) até a grandes restrições sobre estudar, trabalhar e o modo de se apresentarem em espaços públicos. Não espanta, portanto, que o Irão ocupe o 143.º lugar entre 146 países do Fórum Económico Mundial no que toca à igualdade de género.

O site da Academia Sueca explica os três atributos de Narges Mohammadi pelos quais a julgou merecedora do galardão: Mulher, “pela luta pelas mulheres contra a discriminação e a opressão sistemáticas”; Vida, “pelo apoio na luta das mulheres pelo direito a uma vida plena e digna”; e Liberdade, que exprime a “luta pela liberdade de expressão e pelo direito à independência, bem como contra as regras que obrigam as mulheres a não serem vistas e a cobrirem o corpo”.

Narges Mohammadi, nos anos 90, na altura uma jovem estudante de física, já se distinguia como defensora da igualdade e dos direitos das mulheres. Depois de concluir os seus estudos, trabalhou como engenheira e colunista em vários jornais reformistas. Em 2003, envolveu-se no Centro de Defensores dos Direitos Humanos em Teerão, uma organização fundada por Shirin Ebadi, também Prémio Nobel da Paz. Como ativista naquele centro dedicou-se a uma campanha contra a pena de morte.

Em 2011, Mohammadi foi detida pela primeira vez e condenada a vários anos de prisão pelos seus esforços para ajudar os ativistas encarcerados e as suas famílias. Libertada sob fiança, foi novamente detida em 2015. Do estabelecimento prisional, manifestou o seu apoio aos manifestantes e organizou ações de solidariedade entre os reclusos. As autoridades prisionais responderam impondo restrições mais rigorosas, entre elas a proibição de receber telefonemas e visitas. Ainda assim, conseguiu fazer passar clandestinamente uma mensagem ao New York Times que a publicou no dia do aniversário da morte de uma outra ativista, Mahsa Jina Amini. A mensagem era: “Quantos mais de nós forem presos, mais fortes nos tornamos”.

Nos 122 anos de história do Prémio Nobel da Paz, Narges Mohammadi é a quinta pessoa a ser galardoada em situação de detenção prisional ou domiciliária. José Ramos Horta, é, como Narges Mohammadi, outro premiado com o Prémio Nobel cuja ação em prol dos direitos humanos foi exercida em condições restritivas: não preso, mas exilado do seu país por um regime opressivo. Comentando a galardoada, o Chefe de Estado timorense classificou a escolha da Academia Sueca como “bem merecida”.

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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