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Saúde pública em Timor-Leste: infeção de mosquitos mitigará infeção de pessoas

Saúde pública em Timor-Leste: infeção de mosquitos mitigará infeção de pessoas

Diretor Nacional da Saúde Pública do Ministério da Saúde, Filipe Machado. Fotografia da Tatoli/Francisco Sony.

DÍLI, 07 de agosto de 2023 (TATOLI) – O Diretor Nacional da Saúde Pública do Ministério da Saúde, Filipe Machado, disse que o ministério e alguns parceiros vão enviar para a Austrália amostras dos mosquitos Aedes Aegypti para os infetar com a bactéria Wolbachia.  A iniciativa constitui um primeiro passo para a mitigação ou erradicação de doenças virais que mosquitos propagam a seres humanos e que causam desde leves sintomas gástricos até à morte em casos mais graves, por exemplo o dengue ou a febre amarela. No caso do dengue, nos últimos anos reportaram-se 5.259 casos e 56 mortes, atingindo predominantemente crianças.

Para o conjunto de todos os passos está previsto um montante de cerca de 4,6 milhões de dólares. Medidas seguintes serão a dispersão do mosquito afetado por locais que se sabe serem particularmente afetados, a fumigação de algumas zonas e alguma sensibilização para a importância de evitar a formação de depósitos de água insalubre onde geralmente as larvas de mosquitos se geram e se reproduzem.

Após o envio de mosquitos para a Austrália, o próximo passo será a disseminação de fêmeas de mosquitos infetadas com a Wolbachia e, por isso, incapazes de gerar proles portadoras dos vírus, no território timorense. Sobrepondo-se nos ecossistemas, estas fêmeas assegurarão gradualmente descendentes incapazes de infetar a população humana.

A Wolbachia é uma bactéria natural, inofensiva para as pessoas, mas da qual se sabe estar no organismo de cerca de  60% das espécies de insetos, incluindo moscas da fruta, libélulas e traças.

“Neste momento, estamos a recolher os mosquitos de Aedes Aegypti para serem enviados à Austrália de modo a receberem a Wolbachia com o objetivo de os libertar em Timor-Leste”, disse Filipe Machado à Tatoli, no seu gabinete, em Díli.

Os mosquitos transportadores de Wolbachia serão libertados nos locais com a maior incidência de casos de dengue, nomeadamente no Posto Administrativo de Dom Aleixo. Projetos semelhantes em Singapura, na Austrália e na Indonésia atingiram taxas de sucesso entre os 60 e os 80% na erradicação dos mosquitos portadores de vírus propagáveis a seres humanos.

Filipe Machado  especificou: “os mosquitos de Aedes Aegypti que transportam a bactéria Walbachia têm a capacidade de reduzir a transmissão do vírus como: dengue, zika, chikungunya e febre amarela, ajudando, por isso, a proteger a comunidade destas doenças”.

“Vamos ter outra reunião com os nossos parceiros, sobretudo com a OMS e com líderes comunitários com vista a discutirmos os próximos passos a serem dados para a implementação desta estratégia. Provavelmente, levará dois a três meses para que os mosquitos apanhem a bactéria de Wolbachia”, explicou.

O Ministério da Saúde em colaboração com a Menzies, Escola Australiana de Investigação em Saúde e o World Mosquito Program, liderado pela Universidade Monash, também australiana, está, neste momento, a partilhar informações e conhecimentos quanto à estratégia de prevenção de dengue através da introdução da bactéria de Wolbachia nos mosquitos.

Notícia relacionada: Timor-Leste implementa cruzamento da bactéria Wolbachia no próximo mês

Equipa da TATOLI

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