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Governo vai atribuir nacionalidade timorense aos filhos de Max Stahl

Governo vai atribuir nacionalidade timorense aos filhos de Max Stahl

Esposa de Max Stahl, Ingrid Bucens. Imagem Tatoli/Anito Soares.

DÍLI, 20 de setembro de 2022 (TATOLI) – O Governo timorense vai atribuir a nacionalidade timorense aos filhos de Max Stahl, o jornalista britânico que gravou o massacre de 12 de novembro de 1991.

A esposa de Max Stahl, Ingrid Bucens, encontrou-se hoje com o Primeiro-Ministro, Taur Matan Ruak, para discutirem a possibilidade dos dois filhos, Leo e Malin Stahl, adquirirem a nacionalidade timorense.

“O Governo prometeu a Max Stahl atribuir a cidadania timorense aos nossos filhos”, disse a esposa, após o encontro com o Primeiro-Ministro, no Farol, Díli.

Ingrid Bucens ficou satisfeita com a decisão do Governo: “Sentimo-nos muito contentes pelo reconhecimento, os meus filhos já têm a nacionalidade australiana e estão prontos para receber a timorense. Timor-Leste é também a nossa casa há muitos anos”, concluiu.

Além disso, Ingrid Bucens aproveitou a oportunidade para pedir ao Primeiro-Ministro novas instalações para o Centro Audiovisual Max Stahl de Timor-Leste (CMSTL), pois as atuais  estão  em mau estado.

Max Stahl, jornalista e realizador, responsável pela filmagem das imagens do massacre de Santa Cruz, em 1991, que permitiram chamar a atenção para a situação de Timor-Leste e colocar o país no topo da agenda internacional, um importante contributo para a autodeterminação do povo timorense.

Faleceu a 28 de outubro, em Brisbane, vítima de doença prolongada, no mesmo dia em que se assinalavam os 30 anos da morte de Sebastião Gomes, que originou a homenagem que culminou no massacre de Santa Cruz.

Christopher Wenner, mais conhecido por Max Stahl, nasceu a 6 de dezembro de 1954 no Reino Unido.

Depois de ter passado por vários cenários de conflito, sobretudo na América Latina, em agosto de 1991, Max Stahl veio para Timor-Leste para filmar o documentário que viria a chamar-se “In Cold Blood: The massacre of East Timor”.

A 12 de novembro de 1991, acompanhou e filmou a marcha de homenagem da igreja de Motael até à campa de Sebastião Gomes, que culminou no massacre do Cemitério de Santa Cruz, em que centenas de jovens timorenses foram mortos por militares indonésios. As imagens correram o mundo e deram a conhecer o drama timorense.

A filmagem impulsionou a frente diplomática, catapultando Timor-Leste para as primeiras páginas dos meios de comunicação mundiais, depois de vários anos em que a situação timorense permanecia adormecida para a comunidade internacional.

Notícia relevante: Esposa de Max Stahl defende transformação de CAMSTL em instituto público para preservação de memórias

Jornalista: Domingos Piedade Freitas

Editora: Maria Auxiliadora

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