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Pe. Jovito: Reconciliação entre vítimas e suspeitos de crimes do passado ainda está pendente

Pe. Jovito: Reconciliação entre vítimas e suspeitos de crimes do passado ainda está pendente

Pe. Jovito do Rego. Imagem Tatoli/Francisco Sony.

DÍLI, 26 de agosto de 2022 (TATOLI) – O Presidente do Conselho Pastoral da Diocese de Díli e ex-Comissário Nacional da Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação de Timor-Leste (CAVR), Pe. Jovito do Rego, disse que a reconciliação entre vítimas e suspeitos dos crimes cometidos durante a invasão da Indonésia foi algo muito sentido pelo povo timorense durante o mandato que assumiu entre 2002-2005.

Segundo Jovito do Rego, no processo de reconciliação, a CAVR envolveu os “Lia Nain” para mediar os conflitos entre as vítimas e os suspeitos dos crimes cometidos. No entanto, as vítimas e os suspeitos não chegaram a um consenso pelo que a CAVR continuou a submeter ao Ministério Público processos judiciais.

“Quando trabalhava na CAVR achávamos  que o Processo de Reconciliação da Comunidade (PRK-em indonésio) era uma oportunidade para trazer paz de espírito aos envolvidos”, disse Padre Jovito do Rego à Tatoli, em Lecidere, Díli.

O Padre salientou ainda que quando se aborda a questão da reconciliação, as vítimas e os suspeitos têm de marcar presença em simultâneo. A Igreja, o Estado ou outras instituições relevantes não foram convocados para falar em nome de vítimas.

“A vítima que sofreu uma violação dos diretos humanos como ter a casa queimada, os familiares assassinados, entre outros, não se sentem devidamente representada. Pedimos, por isso, ao Estado que preste a atenção devida”, reivindicou.

O padre recordou ainda os timorenses ocidentais repatriados à força na altura do conflito, desde 2002, que decidiram já a sua identidade como cidadãos indonésios. “Por isso, é que se assume como relevante repensar a questão do repatriamento para Timor-Leste”, referiu.

O ex-comissário nacional da CAVR referiu ainda que o objetivo da reconciliação é proporcionar alguma estabilidade emocional e permitir a liberdade de movimentos entre os dois países. No entanto, os suspeitos que constam na lista da INTERPOL (Seriou Crime Unit) como autores de crimes graves continuam a desresponsabilizar-se dos seus atos.

Questionado sobre o facto da política do Estado, no que toca a esta questão da reconciliação ser influenciada pelo Documento da Fraternidade Humana, o padre assegurou que a fraternidade é universal. Por isso, é melhor cada pessoa viver no lugar onde quer viver do que repatriar os timorenses ocidentais para Timor-Leste. De outro modo, vai-se criar mais instabilidade.

A política do Estado timorense, no que toca ao entendimento que o Presidente da República, José Ramos Horta, tem do conceito de reconciliação, é semelhante à visão de alguns ex-líderes pro-autonomistas, tais como Eurico Guterres, Joanico Belo, entre outros, na Nusa Tengarra Timur. Tal circunstância é digna de lamentar bem como o posicionamento de alguns intelectuais timorenses por não respeitarem as vítimas, acusou o religioso.

“Peço ao Estado que preste a atenção adequada, pois o processo de reconciliação não foi uma retórica. É sério e segue regras”, concluiu.

Jornalista: Domingos Piedade Freitas

Editora: Maria Auxiliadora

 

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