DÍLI, 11 de janeiro de 2022 (TATOLI) – O projeto Quinta Portugal, ao longo da sua existência no Município de Aileu, já produziu cerca de 450 mil árvores – 70 mil por ano – revelou o Coordenador do Projeto, Hugo Trindade.
“Produzimos várias dezenas de espécies diferentes, principalmente café, sândalo, cravo da índia, canela, rambutão, mangostão, árvores para sombreamento do café – casuarina, madre de cacau, grevílea-robusta, acácia, mogno, citrinos e pitaia. Ao longo dos anos, várias espécies diversificaram as plantações em diferentes zonas”, disse Hugo Trindade, à Tatoli, no Centro Cultural da Embaixada de Portugal, em Díli.
O responsável acrescentou que o projeto aposta na diversificação das suas produções agroflorestais e no fortalecimento das cadeias de mercado, estimulando a prática de técnicas de conservação e gestão sustentável dos recursos naturais.
“Providenciamos formação, organizamos seminários, demonstrações e apoios técnicos aos produtores que beneficiam do projeto, como por exemplo, criar e gerir viveiros para reabilitar as plantações”, frisou.
Questionado sobre o total de beneficiários do projeto, Hugo Trindade respondeu que “os beneficiários diretos da ação bilateral do projeto implementado pelo Camões, em coordenação com o Ministério da Agricultura timorense, são anualmente cerca de 150 famílias no Município de Aileu. Algumas são produtoras de café, outras de pitaia, outras ainda exercem trabalhos florestais e a comunidade em geral, que deseja reflorestar a sua plantação”.
Questionado também sobre o alargamento do projeto a outro município, o dirigente revelou que “temos beneficiários indiretos em outros municípios, através de parceiros como a Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), que nos solicitam seminários, demonstrações e formação técnica a produtores nos municípios de Manatuto, Baucau, Viqueque e Lautém”.
Com a parceria entre o Camões e a GIZ, o projeto Quinta Portugal produziu e distribuiu mais de 200 mil árvores por beneficiários nos quatro municípios da região leste do país.
“Com o acordo que celebrámos com a cooperação alemã, produzimos e distribuímos árvores para os beneficiários do projeto Ai ba Futuru, financiado pela União Europeia e implementado pela GIZ. De 2019 até agora, produzimos cerca de 250 mil árvores, distribuídas pelos municípios de Manatuto, Baucau, Viqueque e Lautém”, informou.
O projeto Quinta Portugal supervisiona as árvores distribuídas em Aileu enquanto o projeto Ai Ba Futuru é da responsabilidade da GIZ.
“Fazemos o acompanhamento das plantas que distribuímos em Aileu e temos um bom feedback, boas taxas de sobrevivência, assim como a GIZ também regista números positivos. A nossa função é produzir e distribuir. A monitorização é feita pela GIZ”, concluiu.
A História da Quinta Portugal
O projeto Quinta Portugal teve início em 2016, sempre com a base no Município de Aileu.
A Quinta Portugal é um centro agroflorestal, usado pela cooperação portuguesa desde 2001. No entanto, antes de 2016, fazia parte de outros projetos maiores de desenvolvimento rural que a cooperação portuguesa implementou em 2001, nos municípios de Ermera, Liquiçá, Aileu e Manufahi.
A Quinta Portugal era uma componente de um projeto maior que, na altura, se chamava “missão agrícola portuguesa”. Em 2005, passou a chamar-se programa de apoio ao desenvolvimento rural e, mais tarde, em 2009 mudou para programa de extensão rural.
Em 2013, com o fim da ação bilateral do programa de extensão rural, a Quinta Portugal esteve seis meses sem ligação a nenhum projeto e procurou-se financiamento para continuar o seu funcionamento. Após esses seis meses, o projeto foi integrado num financiado pela União Europeia (UE) e implementado pelo Camões juntamente com a cooperação alemã – o programa de Desenvolvimento Rural Fase Quatro (RDP 4, em inglês).
De 2014 a 2016, a Quinta Portugal foi uma parte do RDP 4. Em 2016, não havia nenhuma ação bilateral nem cooperação com o Camões, pelo que a cooperação portuguesa decidiu criar um projeto chamado Quinta Portugal.
Nasceu, assim, o Centro Agroflorestal, localizado em Aileu, integrante do projeto de cooperação bilateral entre os estados de Timor-Leste e Portugal, denominado Quinta Portugal, implementado e financiado pelo Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.
O projeto em causa tem como objetivo contribuir para a melhoria da segurança alimentar nacional, através do aumento dos rendimentos das comunidades rurais, por meio da diversificação das suas produções agroflorestais e do fortalecimento das cadeias de mercado, estimulando a prática de técnicas de conservação e gestão sustentável dos recursos naturais. Intervém no Município de Aileu.
Notícia relevante: MAP, GIZ e Quinta Portugal distribuem árvores no Dia Nacional do Sândalo e das Florestas
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Maria Auxiliadora




