DÍLI, 22 de maio de 2026 (TATOLI) – As perturbações no transporte marítimo através do Estreito de Ormuz, provocadas pela guerra no Irão, estão a alterar as rotas comerciais globais, com um aumento do tráfego pelo Canal do Panamá à medida que os petroleiros procuram alternativas, revela uma importante associação internacional de navegação.
Segundo a Baltic and International Maritime Council, as travessias pelo canal aumentaram 8% até ao momento em relação ao mesmo período do ano passado, com os petroleiros a representar a maior parte do crescimento. A associação indica ainda que o Canal do Panamá tem gerido uma média de 38 travessias diárias, próximo da sua capacidade máxima, estimada entre 36 e 40.
O desvio das rotas ocorre num contexto de perturbações contínuas no Estreito de Ormuz, uma via considerada estratégica para o comércio mundial de energia, que o Irão passou a controlar após o início dos ataques israelitas e estadunidenses no final do passado mês de fevereiro. Ameaças, inspeções e ataques a navios levaram a que o tráfego através do estreito fique praticamente parado.
Após o início de um cessar-fogo entre as partes em conflito, o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, anunciou em abril um bloqueio naval direcionado a navios que entrem ou saiam dos portos iranianos.
Um relatório recente da empresa de dados de navegação Kpler indica que, desde então, nenhum petroleiro carregado com crude iraniano passou pelo bloqueio. O Irão aumentou substancialmente o armazenamento de petróleo, tanto em navios no Golfo como em instalações em terra. No mês passado, o volume de petróleo iraniano armazenado em navios fora do bloqueio caiu de 122 milhões para 89 milhões de barris, cargas que ainda poderão ser vendidas. A China continua a ser apontada como o principal comprador do petróleo iraniano.
Se o bloqueio naval dos EUA se mantiver, alertou a Kpler, as receitas petrolíferas do Irão poderão esgotar-se completamente em 60 a 70 dias.
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Fonte: Bernama




