DÍLI, 5 de maio de 2026 (TATOLI) – O Diretor-Geral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Miguel Monteiro, defende que a cultura deve assumir um papel central nas políticas públicas, sublinhando deve ser um eixo estruturante das sociedades dos países membros e um instrumento essencial do desenvolvimento, da coesão e da afirmação internacional.
A afirmação foi feita durante a XIV Reunião de Ministros da CPLP, sob o tema Salvaguarda da Herança Cultural na Promoção da Identidade e Cidadania da CPLP, que decorreu nos dias 4 e 5 de maio, no Hotel Timor, em Díli. O evento reuniu Ministros da Cultura dos Estados-Membros, pontos focais da Cultura e os Embaixadores de Portugal, de Angola e do Brasil acreditados em Timor-Leste.
O responsável, que participou em representação da Secretária-Executiva da CPLP, Maria Fátima Jardim, defende que a cultura não pode ser encarada como um setor periférico, mas sim como um domínio estratégico num contexto global marcado por transformações digitais e crescente interdependência entre os Estados.
Segundo Miguel Monteiro, a diversidade cultural existente no espaço da CPLP constitui “a maior força dos Estados-Membros”, permitindo à organização afirmar-se como um bloco com identidade própria no panorama internacional. Neste âmbito, salientou a importância da cultura enquanto instrumento de diplomacia cultural, capaz de aproximar povos e reforçar a confiança mútua.
O dirigente apontou ainda a necessidade de a organização evoluir de uma lógica declarativa para uma abordagem mais operacional, orientada para resultados concretos, defendendo o reforço da mobilidade cultural entre os Estados-Membros, nomeadamente através da circulação de artistas, investigadores e profissionais do setor.
Entre as prioridades indicadas, destacou igualmente a aposta na transformação digital, incluindo a criação de plataformas de difusão de conteúdos culturais e a digitalização do património, bem como o fortalecimento das indústrias culturais e criativas, consideradas fundamentais para o crescimento económico e para a criação de emprego qualificado.
Miguel Monteiro manifestou expetativa de que o encontro produza “decisões concretas, ambiciosas e transformadoras”, reforçando o papel da CPLP como plataforma dinâmica de cooperação cultural com impacto direto na vida dos cidadãos dos países membros.
Por sua vez, o Ministro da Juventude, Desporto, Arte e Cultura de Timor-Leste, Nelyo Isaac, afirmou que a cultura “é o fio invisível que, apesar das distâncias geográficas, nos une como uma grande família de língua portuguesa”.
Na sua intervenção, o governante sublinhou que a reunião visa reforçar a coordenação política entre os Estados-Membros, promover a concertação diplomática e garantir a implementação efetiva dos compromissos anteriormente assumidos no domínio cultural.
“O nosso sucesso dependerá da nossa capacidade de diálogo e da vontade de cooperação mútua”, afirmou, acrescentando que a cultura representa a base da resiliência económica e social dos países da CPLP.
O governante destacou ainda que o encontro permitirá avaliar o grau de execução do plano de ação anterior e definir novas prioridades para o período 2026-2028, com foco na capacitação de recursos humanos, na digitalização das artes e na salvaguarda do património cultural.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




