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UNESCO distingue Sindicato de Jornalistas do Sudão com Prémio Mundial da Liberdade de Imprensa 2026

UNESCO distingue Sindicato de Jornalistas do Sudão com Prémio Mundial da Liberdade de Imprensa 2026

O edifício do Sindicato de Jornalistas do Sudão (SJS). Foto: SJS

DÍLI, 4 de maio de 2026 (TATOLI) – No âmbito das celebrações do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, assinalado anualmente a 3 de maio, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) atribuiu o Prémio Mundial da Liberdade de Imprensa UNESCO/Guillermo Cano 2026 ao Sudanese Journalists Syndicate (Sindicato de Jornalistas do Sudão), em reconhecimento pelo papel desempenhado na denúncia de ataques deliberados contra jornalistas no contexto do conflito em curso no Sudão.

Num comunicado a que a Tatoli teve hoje acesso, a organização refere que, desde o início dos confrontos em 2023, o sindicato documentou a morte de 32 jornalistas e registou 556 violações contra profissionais da comunicação social, bem como o encerramento de diversos jornais e estações de rádio, o que torna o país um dos mais perigosos do mundo para o exercício do jornalismo.

O Diretor-Geral da UNESCO, Khaled El-Enany, destacou a coragem dos membros do sindicato, sublinhando que “continuam, dia após dia, a fornecer informação precisa e vital às suas comunidades, apesar de os enormes desafios”. Acrescentou que o seu compromisso constitui “um exemplo poderoso e um contributo essencial para a verdade, a responsabilização e a paz”.

Por sua vez, o Presidente do Sudanese Journalists Syndicate, Abdelmoniem Abuedries Ali, afirmou que o prémio “é uma homenagem a todos os jornalistas sudaneses que continuam a defender a verdade e a liberdade de imprensa em condições extremamente difíceis e perigosas”, sublinhando o papel do jornalismo independente na proteção dos valores democráticos.

No documento é referido que o conflito no Sudão afetou gravemente o setor dos meios de comunicação social, com cerca de 90% das infraestruturas de comunicação destruídas. Os jornalistas têm sido alvo de ameaças, detenções e restrições severas, incluindo cortes de internet e telecomunicações, o que tem dificultado a recolha e a difusão de informação.

A UNESCO alerta que estas condições transformam o país numa “zona de silêncio”, onde grande parte da população vive sem acesso a informação fiável, favorecendo a disseminação de desinformação e de propaganda de guerra, com impactos na coesão social.

Desde o início do conflito, a organização tem apoiado jornalistas sudaneses, nomeadamente através da criação do Fórum de Media do Sudão, que reúne mais de 20 órgãos de comunicação, e da disponibilização de espaços seguros em Porto Sudão. Até à data, 49 jornalistas beneficiaram de apoio direto, incluindo relocalização e assistência psicológica.

A mesma fonte sublinha que o declínio da liberdade de imprensa é uma tendência global. Dados recentes indicam uma redução de 10% na liberdade de expressão desde 2012, bem como um aumento de 69% na autocensura entre jornalistas até 2025.

A nível global, os profissionais de comunicação social enfrentam uma crescente pressão, incluindo processos judiciais, legislação restritiva e assédio online, especialmente contra mulheres jornalistas. Um estudo do International Center for Journalists, realizado em parceria com a UNESCO e com a ONU Mulheres, revela que 75% das jornalistas já sofreram violência online.

Apesar deste cenário, a UNESCO destaca sinais positivos, como o reforço dos media comunitários e a adoção de leis de acesso à informação em 139 Estados-Membros da ONU, bem como a utilização de ferramentas digitais e de Inteligência Artificial para promover um jornalismo de investigação transnacional.

Notícia relevante: Ramos-Horta considera liberdade de imprensa “inegociável” para paz e segurança

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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