DÍLI, 19 de abril de 2026 (TATOLI) – A empresa petrolífera italiana ENI, que se encontra no país a realizar prospeções nas águas nacionais, anunciou que, desde 6 de abril, já identificou dez embarcações estrangeiras a praticar pesca ilegal na zona do município de Viqueque, três das quais na semana passada.
“Estamos aqui há duas ou três semanas a realizar levantamentos sísmicos para identificar recursos no subsolo marinho. Durante esse período, detetamos várias embarcações a exercer atividades ilegais, por terem entrado na área de estudo. Mais recentemente, registamos ainda a entrada de outra embarcação, pelo que lhes pedimos que abandonassem a zona, uma vez que estas operações utilizam cabos de grande dimensão no fundo do mar, o que representa um risco para as suas vidas”, afirmou Galiano Waidau, um responsável da empresa, à Tatoli.
O responsável acrescentou que estas embarcações correspondem apenas às que operavam nas proximidades da área sísmica, salientando que o número total poderá ser superior, devido ao movimento frequente de entrada e saída de embarcações ao longo da costa sul.
Indicou ainda que não apresentou formalmente a situação à polícia, mas tem partilhado informações através da sua página no Facebook, o que poderá facilitar o trabalho da Unidade da Polícia Marítima (UPM).
Segundo Galiano Waidau, uma publicação recente permitiu estabelecer contacto com a UPM, levando à coordenação que resultou na apreensão de uma embarcação ilegal. No entanto, esta não corresponde às que foram detetadas diretamente pela sua equipa, mas sim a uma outra que operava numa área distinta.
Referiu também que as autoridades de segurança enfrentam dificuldades em aceder às zonas onde ocorrem estas atividades devido à falta de meios navais adequados para patrulhamento em águas profundas.
“Perante esta situação, acredito que o Governo considere investir em embarcações de patrulha para a Unidade da Polícia Marítima e para a componente naval, de modo a reforçar o controlo dos recursos marítimos do país”, afirmou.
Já o Comandante da UPM de Viqueque, superintendente assistente João Sanches, disse não ter ainda recebido informações oficiais sobre estes novos casos de pesca ilegal. No entanto, garantiu que os dados divulgados pelos meios de comunicação social serão analisados e servirão de apoio ao trabalho operacional no terreno.
Recorde-se que as autoridades de segurança timorenses tinham apreendido, esta sexta-feira, uma embarcação de pesca com bandeira indonésia que operava ilegalmente nas águas nacionais.
De acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária, Pescas e Florestas, Timor-Leste perdeu mais de 48,5 milhões de dólares entre 2024 e 2026 devido à pesca ilegal, com cerca de 2.200 toneladas de peixe retiradas das águas nacionais.
Notícia relevante: Nove toneladas de pescado ilegal apreendidas em embarcação com bandeira indonésia
Jornalista: Arminda Fonseca/Tradução: Equipa da Tatoli
Editor: Rafael Ximenes de A. Belo




