DÍLI, 9 de junho de 2026 (TATOLI) – A Câmara de Comércio da Indonésia em Timor-Leste (COIN-TL) apelou ao setor privado timorense para aproveitar as oportunidades decorrentes da adesão plena de Timor-Leste à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e a reforçar a sua competitividade para enfrentar os mercados regional e global.
O apelo foi lançado pelo Presidente da COIN-TL, Marley Yahya, durante o Fórum Empresarial subordinado ao tema Desafios e Oportunidades para o Crescimento do Setor Privado de Timor-Leste na Era da Integração da ASEAN, promovido pela COIN-TL, em parceria com a Embaixada da Indonésia no país e com a Fantiber Balance em Timor-Leste, no Centro Cultural Indonésio, em Díli. O evento reuniu representantes de associações empresariais de diversos países, académicos, empresários e responsáveis governamentais.
Na sua intervenção, Marley Yahya afirmou que a iniciativa visou criar um espaço de diálogo entre o Governo, empresários e outros intervenientes económicos para discutir estratégias que permitam ao país tirar maior partido da integração regional.
Segundo o responsável, o setor privado desempenha um papel determinante no crescimento económico nacional e deve ser apoiado através do reforço da comunicação, da cooperação institucional e do acesso à informação.
“A participação de todas as partes interessadas é essencial para garantir um desenvolvimento económico inclusivo e sustentável. O setor empresarial deve integrar o processo de transformação económica nacional”, afirmou.
Por sua vez, o representante da Embaixada da Indonésia em Timor-Leste, Banga Malewa, destacou que diversos estudos económicos, incluindo relatórios do Banco Central de Timor-Leste, apontam o setor privado como o principal motor do crescimento económico do país.
“O setor privado deve assumir um papel de liderança. O Governo e empresários precisam de trabalhar em conjunto para aproveitar as oportunidades criadas pela integração regional”, disse.
Banga Malewa salientou ainda que a realização do fórum demonstra o compromisso contínuo da Indonésia em apoiar o desenvolvimento económico de Timor-Leste, tanto através da cooperação bilateral como da promoção de parcerias empresariais.
Recordou igualmente que a Indonésia foi um dos países que mais apoiou o processo de adesão de Timor-Leste à ASEAN e continua empenhado em contribuir para o fortalecimento das bases económicas do país, após a sua entrada oficial na organização, em outubro de 2025.
Na mesma linha, o Vice-Ministro do Comércio e Indústria, Augusto Júnior Trindade, explicou que a integração de Timor-Leste na ASEAN permite o acesso a um mercado com cerca de 680 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto conjunto estimado em quatro mil milhões de dólares americanos.
Apesar da reduzida dimensão do mercado interno timorense, com uma população de cerca de 1,4 milhões de habitantes, Augusto Júnior Trindade considera que a localização geográfica do país constitui uma vantagem estratégica.
“Timor-Leste pretende aprender e aproveitar as oportunidades proporcionadas pela organização. A nossa posição geográfica coloca-nos numa situação privilegiada entre a ASEAN, a Austrália e a região do Indo-Pacífico”, afirmou.
O governante referiu ainda que a integração regional poderá impulsionar setores como o café, as pescas, o turismo, a aquacultura, as indústrias criativas e a economia digital, além de aumentar a atratividade do país para o investimento direto estrangeiro.
Contudo, reconheceu que o setor privado continua a enfrentar desafios significativos, incluindo limitações na capacidade empresarial, elevados custos logísticos, insuficiências infraestruturais e uma concorrência crescente.
“A concorrência deixou de ser apenas nacional e passou a ser regional e internacional. Por isso, é fundamental reforçar as capacidades dos empresários e melhorar o ambiente de negócios”, sublinhou.
Augusto Júnior Trindade acrescentou que o Governo está a implementar várias reformas para fortalecer o setor privado, nomeadamente através da simplificação dos procedimentos aduaneiros, da digitalização dos serviços comerciais, da harmonização legislativa com os padrões da ASEAN e da Organização Mundial do Comércio e do apoio às micro, pequenas e médias empresas.
Notícia relevante: Xanana defende paz, direito internacional e governação da IA no Fórum do Futuro da ASEAN
Jornalista: Cidalia Fátima/Tradução: Equipa da Tatoli
Editora: Armandina Moniz




