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JUSTIÇA, HEADLINE

Programa de Monitorização do Sistema Judicial pede ao Governo que dê prioridade ao setor da justiça

Programa de Monitorização do Sistema Judicial pede ao Governo que dê prioridade ao setor da justiça

Diretora-Executiva do JSMP, Ana Paula Marçal. Foto da Tatoli

DÍLI, 6 de novembro de 2025 (TATOLI) – A Diretora-Executiva do Programa de Monitorização do Sistema Judicial (JSMP, em inglês), Ana Paula Marçal, apelou ao Governo para que o setor da justiça seja uma das principais prioridades no Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2026, cujo montante global é 2,291 mil milhões de dólares americanos.

Ana Paula Marçal sublinhou a necessidade de se reforçar os recursos humanos do setor: “Temos acompanhado o funcionamento dos tribunais e recomendamos que o Executivo dê prioridade ao desenvolvimento dos recursos humanos. Falamos de dois aspetos, qualidade e quantidade, sendo que o primeiro requer uma atenção especial”.

A responsável alertou que o número de funcionários judiciais continua a ser insuficiente face à carga processual existente, o que tem impacto direto na celeridade e na justiça das decisões.

“Os nossos recursos nos tribunais são limitados, o que leva à acumulação de processos. Esta sobrecarga e a falta de meios humanos fazem com que muitas decisões acabem por não ser justas”, explicou.

Para colmatar estas lacunas, Ana Paula Marçal defendeu a criação de centros de formação específicos para funcionários judiciais, com vista ao aumento do número atores judiciais e à melhoria contínua da sua qualificação profissional.

“Os centros de formação devem garantir qualidade. Mesmo que se procure aumentar o número de juízes, é essencial assegurar que estes tenham uma preparação sólida, capaz de garantir justiça de forma imparcial e competente. A formação não deve ser pontual, mas contínua, e deve ser sempre contemplada no orçamento”, frisou.

A dirigente acrescentou que a capacitação pode ser feita tanto em Timor-Leste como no estrangeiro, atendendo às novas exigências tecnológicas e ao contexto digital atual.

“Vivemos num mundo digital, onde os crimes informáticos são cada vez mais frequentes. Agora que fazemos parte da ASEAN [Associação das Nações do Sudeste Asiático], é fundamental que os nossos funcionários judiciais estejam preparados para lidar com estas novas realidades”, destacou.

Em 2026, o Ministério da Justiça contará com uma dotação orçamental de 14,1 milhões de dólares: 7,7 milhões para salários e vencimentos, 5,6 para bens e serviços, 350 mil para capital menor e 465.587 dólares para capital de desenvolvimento.

Ana Paula Marçal concluiu apelando a uma maior aposta estratégica na justiça, por considerar que o fortalecimento do setor é essencial para garantir a confiança dos cidadãos no Estado de direito.

Notícia relevante: OGE 2026: La’o Hamutuk pede maior investimento em setores produtivos e sustentáveis

Jornalista: Hortencio Sanchez/Tradução: Equipa da Tatoli

Editor: Cancio Ximenes

 

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