DÍLI, 19 de fevereiro de 2025 (TATOLI) – A Associação HAK vai organizar amanhã uma marcha, do Farol até Lecidere, em Díli, para assinalar os 83 anos da invasão japonesa em Timor-Leste, que ocorreu entre 1942 e 1945, durante a 2.ª Guerra Mundial.
A porta-voz da HAK, Marina Galucho, afirmou, numa conferência de imprensa realizada esta quarta-feira, que a opressão militar japonesa naquele período era “brutal”.
“Díli tornou-se o primeiro local a testemunhar o sofrimento de timorenses, especialmente de mulheres, que foram vítimas de uma guerra que desconheciam. Os militares nipónicos serviam-se de mulheres e raparigas timorenses para se satisfazerem sexualmente”, contou Marina Galucho, no Farol, em Díli.
A porta-voz explicou que quando as forças japonesas ocuparam a ilha, na época dividida entre a administração portuguesa (Timor Português) e a administração holandesa (Timor Ocidental), cerca de 12 mil timorenses foram obrigados a trabalhar na construção de estradas e a fornecer alimentos às tropas invasoras.
Segundo Marina Galucho, a HAK pede que o Governo japonês peça desculpa às vítimas da guerra e sugere ao Ministério da Educação que inclua a história da invasão no currículo nacional.
“Solicitamos ao Governo japonês que se desculpe formalmente perante as mulheres timorenses que foram vítimas de violência sexual, que pague uma indemnização e procure reparar os danos causados”, pediu a dirigente.
Recorde-se que, em 2005, a Associação HAK, em parceria com a Coligação Japonesa, tinha realizado entrevistas a 62 vítimas e testemunhas da invasão japonesa para a elaboração de um livro intitulado Luta pela Verdade e Justiça, como documento histórico da 2.ª Guerra Mundial.
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




