DÍLI, 09 de agosto de 2023 (TATOLI) – O saldo global do Fundo Petrolífero de Timor-Leste aumentou, no segundo trimestre de 2023, para 18,075 mil milhões de dólares americanos face ao trimestre anterior, quando detinha 17,697 mil milhões, após o ajuste para 2022 do Valor Justo do Instrumento de Dívida Privada emitido pela Timor Gap, revela o relatório do Banco Central de Timor-Leste (BCTL). O Fundo Petrolífero de Timor-Leste não tem aumentado, em valor, em função de uma maior produção, mas sim do valor do crude nos mercados internacionais. Tal tem preocupado as autoridades que tem depositado a esperança de um incremento no valor do fundo, via produção, pelo potencial do campo do Greater Sunrise.
Segundo o documento, as entradas brutas de capital durante o trimestre em apreço foram de 332,21 milhões de dólares, sendo que “o rendimento do investimento do Fundo foi de 248,025 milhões de dólares, dos quais 123,73 milhões correspondem a dividendos e juros, 117,59 milhões a movimentos do valor de mercado e 6,70 milhões a movimento cambiais”.
A mesma fonte informa ainda que o resultado foi um retorno para a carteira do Fundo de 1,39%, enquanto o do referencial (benchmark, em inglês) para o mesmo período foi de 1,48%. “O retorno da carteira do investimento no mercado financeiro no período foi de 1,43% o que compara favoravelmente com os 1,53% do retorno do benchmark”, diz o documento.
O Fundo petrolífero é um fundo soberano no qual o excedente da riqueza produzida pelas receitas do petróleo e do gás de Timor-Leste é gerido pelo Governo timorense. Esta riqueza é aplicada em mercados internacionais e o seu valor, em determinado momento, está dependente do mercado de futuros, uma bolsa de valores que valoriza o preço dos produtos em função de expetativas de necessidade e produção a médio prazo. O Fundo Petrolífero tem sido a principal fonte de financiamento da despesa pública.
Estima o FMI (Fundo Monetário Internacional) que, entre março de 2022 e fevereiro de 2023, as reservas de petróleo bruto de Timor-Leste mantiveram-se estáveis em cerca de 14 mil barris por dia. Todavia, tendo os campos de gás quase esgotados de reservas ou, pelo menos, de reservas que façam valer a pena a extração, o petróleo assume-se como quase exclusiva fonte de receitas para as despesas da máquina estatal.
Os campos petrolíferos ativos ainda produzem crude embora em quantidades progressivamente menores. Estima o FMI que os campos petrolíferos atualmente explorados estão no limite da extração e poderão mesmo cessar em 2023.

A esperança de um prolongamento em rendimentos via extração de crude que continuem a alimentar o Fundo Petrolífero deposita-se no potencial do campo da Greater Sunrise, cujo modelo de gestão ainda está em negociação com a Austrália embora com recentes sinais positivos para o lado timorense.
Notícia relevante: Saldo do Fundo Petrolífero sobe ligeiramente em relação ao trimestre anterior
Equipa da TATOLI




