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Jovens timorenses alegam tráfico humano e trabalho forçado no Dubai 

Jovens timorenses alegam tráfico humano e trabalho forçado no Dubai 

Lugar onde as trabalhadoras timorenses dormem.

DÍLI, 24 de junho de 2022 (TATOLI) – Sete mulheres timorenses, que optaram por não se identificarem, estão a ser exploradas e a viver ilegalmente no Dubai, Emirados Árabes Unidos (EAU). A entidade empregadora confiscou-lhes os documentos e obrigam-nas a trabalhar sem contrato de trabalho e em condições desumanas.

As trabalhadores conseguiram esconder os seus telemóveis e têm estado em contacto com as famílias em Timor-Leste.

“Cheguei [ao Dubai] em abril deste ano para trabalhar num salão de beleza. As minhas amigas trabalham em locais diferentes e distantes do meu. Assim que chegamos ao país, não nos deram um contrato para assinar e apenas nos indicaram o local e o horário de trabalho”, informou uma das jovens à Tatoli, via whatsApp.

Uma outra timorense revelou ainda que por cada cinco mil clientes atendidos no salão recebem 200 dirhams, o equivalente a 54,45 dólares americanos.

“Sempre que atendemos os clientes ficamos com a “senha de espera” que eles tiram quando chegam ao salão. Se não conseguirmos atender o número de clientes que eles exigem, não nos pagam. Os nossos passaportes foram confiscados e os vistos turísticos já estão caducados”, informou.

A ida para o Dubai de algumas das jovens foi organizada pela Fundação de Desenvolvimento Comunitário de Timor-Leste, sedeada em Ai-Mutin.

“Primeiro trouxeram-nos para a Indonésia e depois uma outra agência vendeu-nos ao Dubai, agora estamos a sofrer. Trabalhamos todos os dias e não nos pagam”, contou.

As jovens contam que foram contratadas para trabalharem e estudarem no Dubai.

“Antes de virmos para cá, disseram-nos que de manhã trabalhávamos e à noite estudávamos. Mas a realidade não é assim. Os nossos documentos foram confiscados, o alojamento não tem condições e nós é que temos de comprar tudo”, informou.

O sentimento de medo é comuns às sete jovens

“Queremos regressar a Timor-Leste, mas a empresa ameaça-nos, dizendo-nos que temos de pagar 80 mil dólares americanos, se quisermos voltar”, contaram.

A Tatoli, I.P., entrou em contacto com o irmão de duas das jovens que, por sua vez, confirmou ter conhecimento da atual situação vivida no Dubai pelas irmãs.

“Já sabemos o que se passa, porque elas conseguiram telefonar-nos e contar o sofrimento que têm vivido. Tenho duas irmãs no Dubai. Somos do Posto Administrativo de Quelicai, do Município de Baucau”, informou o jovem.

Agências recrutadoras recebem 600 dólares americanos por trabalhador

O Chefe da Divisão de Trabalhadores da Fundação de Desenvolvimento Comunitário de Timor-Leste, JG, informou que a agência recebeu 600 dólares americanos de cada uma das jovens.

“É impossível as famílias pensarem que as suas filhas conseguem chegar ao Dubai com apenas 600 dólares. A fundação financiou o restante. Ajudamos as jovens com boa intenção, porque em Timor a taxa de desemprego é muito alta”, lamentou.

O responsável referiu que as trabalhadoras, no decorrer da viagem para o Dubai, ligaram às famílias para se queixarem de alguns problemas, por isso os familiares reuniram-se na fundação para obter esclarecimentos.

“Os passaportes das jovens foram, de facto, apreendidos para garantir que continuam a trabalhar no Dubai. As empresas têm medo de perder as trabalhadoras”, afirmou JG, à Tatoli, em Kampung Baru, Comoro, Díli.

Questionado sobre o vencimento das trabalhadoras, o responsável referiu que “é impossível receberem apenas esse montante [200 dirham], sobre isso queremos provas”.

JG disse que as famílias ameaçaram a fundação, no entanto o dirigente reiterou que é fundamental confirmar a realidade, junto do empregador e empregadas. “Se o que as jovens dizem for verdade e provado, com certeza, regressam a Timor”, garantiu.

Já o Coordenador-Geral do UIPM, que optou por não revelar a sua identidade, disse que desconhece qualquer processo de envio de timorenses para Dubai, acrescentando que a UIPM está sob tutela da Fundação de Desenvolvimento Comunitária de Timor-Leste e que “as trabalhadoras apenas frequentaram o curso de inglês na agência”, disse.

Questionado sobre a legalidade do curso, o responsável respondeu que o processo do registo está já no Ministério da Justiça. “Mas o curso está provisoriamente fechado”.

Já o Diretor-Executivo do Serviço de Registo e Verificação Empresarial, Florêncio Sanches, disse que a agência UIPM não está registada.

“O SERVE verificou, mas não existe, na base de dados, nenhuma agência chamada Universal Institute of Professional ou UIPM”, afirmou à Tatoli.

O diretor-executivo sublinhou que, de acordo com a lei em vigor em Timor-Leste, as sanções para as empresas que realizam atividades sem ter licença do SERVE é de cinco mil dólares.

No que toca ao assunto, a Polícia Científica de Investigação Criminal de Timor-Leste (PCIC), após o mandado do Tribunal,  deteve três suspeitos e fez uma busca domiciliária.

Os suspeitos de tráfico humano estão ligados a agências da Indonésia e, alegadamente, tratam de documentos e enviam trabalhadores timorenses, sobretudo mulheres, para o Dubai e Malásia.

A PCIC está a cooperar com a INTERPOL, através da polícia da Indonésia para se identificar o endereço da agência indonésia e respetivas atividades.

Os três suspeitos ficam detidos durante 72 horas na PCIC, antes do primeiro interrogatório no Tribunal de Díli.

Equipa de redação

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