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Académicos consideram importante uniformização do currículo no ensino superior

Académicos consideram importante uniformização do currículo no ensino superior

Ilusração

DÍLI, 24 de setembro de 2019 (TATOLI) – O Ministério do Ensino Superior, Ciência e Cultura (MESCC) desenvolveu o Currículo de Padrão Mínimo (CPM) para uniformizar o currículo das universidades públicas e privadas, garantindo o uso efetivo das línguas oficiais como línguas de formação.

Ministro do Ensino Superior, Ciência e Cultura, Longuinhos dos Santos.

“O projeto pretende uniformizar o currículo no ensino universitário timorense bem como o seu regime jurídico”, disse Ministro, Longuinhos dos Santos.

Também o Chefe do Departamento de Relações Internacionais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade da Paz (UNPAZ), Luís Pereira Cardoso, destacou a importância da definição do CPM que permitirá “melhorar a qualidade dos recursos humanos em Timor-Leste”.

Segundo Luís Cardoso, é necessária uma avaliação dos modelos de ensino em cada instituição de ensino superior para garantir que a política educativa do Governo seja implementada de forma efetiva.

O académico referiu também que, embora a nomenclatura das unidades curriculares em cada universidade seja distinta, de acordo com os respetivos cursos ministrados, os seus conteúdos não diferem entre si.

“Por esta razão é fundamental que o MESCC efetue um levantamento de todas as disciplinas nas diferentes instituições universitárias. Poderemos, depois, fazer os ajustamentos necessários ao novo currículo do ensino superior e, deste modo, implementá-lo o mais breve possível”, afirmou.

Luís Pereira Cardoso recordou ainda o uso diferenciado dos currículos e modelos de avaliação, nos últimos anos, pelas universidades, recomendando ao Executivo que reveja esta questão antes mesmo de ser implementado o novo modelo curricular em todas as instituições do ensino superior.

Marcelino Cardoso, finalista da licenciatura de Ciências Sociais e Humanas da UNPAZ, referiu que, apesar de a língua usada no ensino secundário ser o português, o mesmo não se verifica no ensino superior privado, onde a língua de ensino é o indonésio. O jovem considera, por isso, fundamental que o currículo seja uniformizado no que diz respeito às línguas oficiais de instrução no ensino superior.

“Sugerimos ao ministério relevante que implemente medidas que uniformizem o currículo para que os estudantes possam ficar mais familiarizados com o idioma português”, disse o estudante.

O aluno finalista da UNPAZ alertou ainda para a necessidade de se efetuar não apenas uma maior sensibilização junto da população como uma coordenação estreita entre as instituições relevantes do país. Segundo Marcelino Cardoso, estas medidas visam garantir o sucesso da implementação de um currículo padrão no futuro.

UNTL preparada para adotar política educativa do Governo

Vicente Paulino, docente dos cursos de pós-graduação da UNTL, recordou, entretanto, que a universidade tem adotado, desde 2000, ano da sua fundação, o português como língua de instrução e comunicação académica, sendo que o tétum é usado meramente como língua de apoio. Salientou, no entanto, que o uso de um currículo padrão obrigará a um maior investimento no reforço da capacitação dos recursos humanos.

De acordo com o académico, a universidade pública está já devidamente preparada para adaptar o Currículo de Padrão Mínimo que incide no programa do Governo. Salientou que a UNTL tem envidado todos os esforços para o seu desenvolvimento, mantendo a aposta no reforço da capacitação dos seus recursos humanos, nomeadamente estudantes, docentes e funcionários técnicos e administrativos, apesar de todas as dificuldades que a universidade enfrenta.

Para que este currículo seja implementado, a UNTL conta, segundo o docente, com o apoio do Centro de Língua Portuguesa que tem um papel de relevo na dinamização de cursos de português. Por este motivo, disse pretender continuar a apostar na formação dos alunos assim como prestar apoio aos docentes timorenses que ainda necessitam de melhorar a sua proficiência linguística.

“A universidade tem incentivado todos os docentes que já possuem o domínio desta língua a lecionarem em português, porque esta é a língua que dará acesso à informação e à construção do saber científico”, afirmou o docente.

Vicente Paulino acrescentou que o programa que coordena atualmente visa promover a Língua Portuguesa, quer na UNTL quer nas diversas instituições de ensino superior públicas e privadas com as quais o centro colabora, com o propósito de transformar a UNTL num “centro de lusofonia nesta região do globo”.

“O nosso objetivo é promover a capacitação em língua portuguesa dos docentes, funcionários e estudantes no âmbito do programa FOCO – Formar, Orientar, Capacitar e Otimizar – aqui na UNTL, permitindo-lhes que desenvolvam competências na Língua Portuguesa”, disse o académico.

O académico sugeriu igualmente a todos aqueles que manifestam vontade em aprender, seja o português seja outra língua estrangeira, que, pese embora as dificuldades inerentes a cada idioma, “se esforcem e sigam um método de estudo adequado para que possam alcançar um domínio muito satisfatório”.

“O importante é ter a consciência de que dominar o português significa ter acesso ao mundo global, dado que estamos a falar de uma das línguas mais faladas no mundo”, afirmou Vicente Paulino.

Também o reitor da Universidade de Díli (UNDIL), José Belo Pereira, elogiou a política educativa do Governo, embora considere necessária uma discussão da adoção do CPM, antes mesmo da sua implementação, defendendo ainda que o modelo de acreditação das universidades deveria ser universal.

“O ministério deve olhar para as potencialidades que as universidades possuem e formular o melhor currículo possível. Queremos uma boa qualidade do ensino superior, mas, para isso, temos de ter docentes de qualidade e estudantes com as necessidades básicas”, disse.

O académico insistiu na necessidade de o Governo efetuar uma profunda discussão acerca da definição do currículo padrão para evitar que eventuais falhanços possam ocorrer durante a implementação da política educativa para o ensino superior.

Jornalista: Julia Chatarina

Editor     : Xisto Freitas

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