iklan

HEADLINE, NACIONAL, NOTÍCIAS DE HOJE

Esposa de Max Stahl defende transformação de CAMSTL em instituto público para preservação de memórias

Esposa de Max Stahl defende transformação de CAMSTL em instituto público para preservação de memórias

Edifício do CASMTL. Imagem Tatoli/Anito Soares.

DÍLI, 17 de dezembro de 2021 (TATOLI) – A esposa do falecido jornalista Max Stahl, Ingrid Bucens, disse que, antes de morrer, o seu marido apresentou como último pedido a transformação do Centro Audiovisual Max Stahl Timor-Leste (CAMSTL) num instituto público de modo a preservar as memórias da resistência dos timorenses.

“É uma instituição timorense, não é privada. Nunca será uma instituição privada, nem sequer relacionada com a família. Tornar-se-á numa instituição pública de Timor-Leste”, informou Ingrid à Tatoli, numa entrevista exclusiva no Arquivo e Museu da Resistência, em Díli.

Esposa de Max Stahl, Ingrid Bucens. Imagem Tatoli/Anito Soares.

Ingrid Bucens defendeu a transformação do CAMSTL em instituto público para preservar as memórias e histórias de Timor Leste para futuras gerações.

“Como sabemos, todo o seu trabalho e ambição dos últimos 20 anos pretendiam estabelecer um centro audiovisual para salvar a memória de Timor-Leste no futuro, funcionando como instituto público”, acrescentou.

Ingrid Bucens manifestou o seu empenho em continuar a trabalhar com o CAMSTL e Timor-Leste para manter o legado de Max Stahl no país.

“Espero que tudo corra bem, pois a futura existência do CAMSTL não foi discutida em detalhes. Mesmo assim, tenho intenção e interesse em preservar o legado de Max”, frisou.

A esposa do jornalista revelou também que “continuaremos envolvidos com o centro e estamos dispostos a apoiar o legado de Max em Timor.  A nossa família vive aqui há quase 20 anos e tenho a certeza de que os nossos filhos também vão contribuir”.

Ingrid Bucens acrescentou que o mais importante a ser discutido agora é a continuação do CAMSTL, apesar de os líderes timorenses assumirem o compromisso de garantir a sua existência.

“Recebi várias mensagens, incluindo do Presidente da República, Primeiro-Ministro, Ramos Horta, Xanana Gusmão. Todos expressam o seu empenho em ajudar na continuação do CAMSTL, de acordo com os desejos de Max. E nós, como família, ajudaremos o melhor possível”, frisou.

Questionada sobre a construção de uma estátua para homenagear o jornalista Max Stahl, que revelou ao mundo o sofrimento do povo timorense, Bucens respondeu que “não depende de mim, mas vamos apoiar o que as pessoas querem fazer para recordar o legado de Max. Penso que o legado e a memória que Max queria deixar é a instituição que ele desenvolveu com os timorenses – o CAMSTL”.

É de lembrar que o ex-Presidente da República, José Ramos Horta, tinha antes dito que, no momento em que Max Stahl já se encontrava em estado crítico, apresentou um pedido para tornar o centro audiovisual em instituto público.

“Na nossa troca de mensagens, Max pediu-me que transformasse o Centro Audiovisual Max Stahl Timor-Leste em instituto por ser uma herança de registo histórico e de documentação audiovisual”, informou recentemente Ramos Horta.

O antigo presidente acrescentou que o pedido em causa já tinha sido apresentado ao Governo timorense.

Ramos Horta mostrou-se preocupado com a situação dos funcionários do CAMSTL que aí trabalham há alguns anos. O CAMSTL emprega atualmente 19 funcionários permanentes e mais de 20 estagiários.

Um dos membros do Conselho do CAMSTL, Maria do Céu Lopes da Silva, informou que o processo de transformação do CAMSTL em instituto público ainda está em fase de discussão.

Já o Primeiro-Ministro, Taur Matan Ruak, tinha referido que o Executivo prestaria atenção ao centro, aos seus funcionários e aos documentos históricos que conserva.

Notícia relevante: Ingrid Bucens: “É uma honra para Max Stahl ser reconhecido como cidadão timorense”

Para preservar a história de Timor-Leste, Max Stahl criou um centro de arquivo com o seu nome. Os registos do CAMSTL são o resultado de 25 anos de trabalho do jornalista e dos seus colaboradores, a maioria deles timorense. Incluem filmagens e reportagens realizadas durante 12 anos, entre 2003 e 2016, o período após a restauração da independência em Timor Leste.

O arquivo CAMSTL apoia a produção de coleções temáticas de imagens e narrativas para fins educacionais, que podem ser usadas numa variedade de configurações e níveis.

O arquivo fornece ainda um campo de formação muito diversificado para o desenvolvimento de múltiplas competências das quais vários programas de estudo podem beneficiar.

O CAMSTL inclui material relevante para a produção de conteúdo orientado para o público nas áreas de História, Antropologia, Ciências Sociais, Estudos de Desenvolvimento, Planeamento Urbano, Política, Relações Internacionais, Geografia, Estudos Ambientais, Estudos Religiosos, Música e Saúde.

Notícia relevante: Max Stahl pretendia tornar CAMSTL em instituto público

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Maria Auxiliadora

iklan
iklan

Leave a Reply

iklan
error: Content is protected !!