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Timor-Leste defende diversificação alimentar para reforçar segurança nutricional

Timor-Leste comemorou o Dia Mundial da Alimentação. Foto: Arminda Fonseca

DÍLI, 16 de outubro de 2026 (TATOLI) – O Governo defendeu hoje a diversificação do consumo de alimentos locais e o investimento na inovação agrícola, como forma de reforçar a segurança alimentar e nutricional num contexto marcado pelos desafios das alterações climáticas e pela dependência das importações.

A posição foi apresentada pelo Vice-Primeiro-Ministro, Ministro Coordenador dos Assuntos Sociais e Ministro do Desenvolvimento Rural e Habitação Comunitária, Mariano Assanami Sabino, durante a comemoração do Dia Mundial da Alimentação, organizada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária, Pescas e Florestas, em conjunto com o Conselho Nacional de Soberania, Segurança Alimentar e Nutrição de Timor-Leste e parceiros de desenvolvimento.

A iniciativa decorreu em Comoro, Díli, sob o tema nacional Investir na inovação para garantir a segurança alimentar e nutricional e o tema internacional Inovar hoje. Nutrir amanhã.

Na ocasião, o governante alertou que o fenómeno El Niño representa um desafio significativo para o setor agrícola, devido à possibilidade de períodos prolongados de seca, escassez de água e redução da produção alimentar. “Precisamos de encontrar formas de nos adaptarmos a esta situação, incluindo mudar a nossa mentalidade em relação aos alimentos que consumimos”, afirmou.

Mariano Assanami Sabino apelou ainda ao reforço da coordenação institucional e à criação de um sistema alimentar integrado, desde a preparação dos terrenos e a produção até à colheita, ao transporte, ao armazenamento e à distribuição nos mercados.

Inovação e segurança alimentar

Por sua vez, o Ministro da Agricultura, Pecuária, Pescas e Florestas, Marcos da Cruz, referiu que a efeméride constitui uma oportunidade para avaliar os progressos alcançados e reforçar o compromisso nacional no combate à fome, à insegurança alimentar e à má nutrição.

“A inovação não se limita às tecnologias modernas ou aos equipamentos dispendiosos. Significa também melhorar a forma como cultivamos arroz, milho, hortícolas e frutas, criamos animais, pescamos, desenvolvemos a aquacultura, gerimos a água e o solo, armazenamos e transformamos os produtos locais e reduzimos as perdas pós-colheita”, declarou.

Segundo o ministro, a inovação pode assentar nos conhecimentos tradicionais das comunidades, na investigação aplicada e em soluções simples que respondam às necessidades dos agricultores e pescadores.

Marcos da Cruz salientou que a segurança alimentar não depende apenas da disponibilidade de alimentos, mas também da capacidade económica das famílias para acederem a uma dieta saudável durante todo o ano.

Produção agrícola e pecuária

O ministro destacou progressos na produtividade agrícola. A produção de arroz aumentou de 1,7 toneladas por hectare em 2005 para 3,7 toneladas em 2026, enquanto a produtividade do milho passou de 1,3 para 2,8 toneladas por hectare no mesmo período.

Em 2025, a produção de hortícolas atingiu 26.304 toneladas e a de frutas locais 15.700 toneladas. Apesar dos avanços, a produção nacional continua insuficiente para satisfazer a procura interna, mantendo o país dependente das importações.

Na pecuária, dados do MAPPF indicam uma produção de 156 toneladas de carne de bovino e caprino provenientes de matadouros, 120 toneladas de carne de porco produzida localmente e 366 toneladas de frango de carne.

No setor das pescas e da aquacultura, a captura de pescado marinho atingiu 7.718 toneladas, enquanto a produção em viveiros e através da aquacultura totalizou 3.360 toneladas.

Exportações e valorização dos produtos locais

O café mantém‑se como um dos principais produtos de exportação, contribuindo para o rendimento das famílias rurais e para a economia nacional. Em 2025, Timor‑Leste exportou 4.724 toneladas de café arábica e 667 toneladas de robusta.

No mesmo ano, foram ainda exportadas 3.135 toneladas de camim, 2.735 toneladas de coco seco, 1.121 toneladas de fruto de palmeira, 770 toneladas de inhame pata de elefante e 63 toneladas de cravinho.

Marcos da Cruz defendeu o investimento no processamento, armazenamento, embalagem, certificação e acesso aos mercados, de modo a aumentar o valor acrescentado e a competitividade dos produtos nacionais.

Considerou igualmente necessário facilitar o acesso dos produtores ao financiamento, formação, tecnologia, infraestruturas e informação sobre os mercados.

O ministro apelou ainda ao reforço das ligações comerciais entre produtores locais, supermercados, hotéis, restaurantes, instituições públicas e programas de alimentação escolar, sublinhando que o investimento em estradas rurais, transportes, armazenamento, cadeias de frio e unidades de processamento poderá reduzir perdas e aumentar o valor dos produtos agrícolas.

No âmbito da celebração, realizou-se também uma feira agrícola, na qual grupos de produtores apresentaram alimentos e produtos transformados localmente, incluindo doces e plantas medicinais.

Jornalista: Afonso do Rosário

Editor: Rafael Ximenes de A. Belo

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