Bancos Centrais do Pacífico reforçam resiliência económica e cooperação financeira regional

DÍLI, 9 de outubro de 2026 (TATOLI) – Os governadores dos Bancos Centrais do Pacífico Sul defendem o reforço da resiliência económica, da cooperação financeira regional e da interligação dos sistemas de pagamentos digitais, com o objetivo de reduzir os custos das transações e das remessas internacionais.
As prioridades foram debatidas esta sexta-feira, em Díli, durante a 41.ª Reunião dos Governadores dos Bancos Centrais do Pacífico Sul, realizada no Palm Spring Hotel. O encontro destacou também o potencial de Timor-Leste para aproximar a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) dos países do Pacífico.
Intervindo no evento, o Governador do Banco Central de Timor-Leste (BCTL), Hélder Lopes, afirmou que o encontro constituiu uma oportunidade para debater desafios económicos comuns, reforçar a coordenação das políticas financeiras e desenvolver iniciativas concretas de cooperação entre as instituições da região.
Resiliência económica exige diversificação e preparação para crises
Hélder Lopes salientou que a promoção do crescimento económico depende da criação de condições favoráveis ao investimento, do desenvolvimento do setor privado e do reforço dos setores produtivos.
Segundo o Governador, as economias da região enfrentam riscos associados à inflação mundial, às perturbações nas cadeias de abastecimento, às tensões geopolíticas e às alterações climáticas, fatores exigem sistemas financeiros sólidos e políticas económicas credíveis.
No caso de Timor-Leste, Hélder Lopes identificou a dependência das despesas públicas e das receitas petrolíferas como desafios estruturais que tornam necessária a diversificação da economia e o aumento da produtividade.
Defendeu igualmente uma gestão financeira prudente e uma maior coordenação entre o BCTL, o Governo e as instituições competentes, de modo a reforçar a capacidade do país para responder a crises e assegurar um crescimento sustentável a longo prazo.
A reunião abordou ainda a inovação financeira, a transformação digital dos serviços bancários e a inclusão financeira, destacando a necessidade de acompanhar os avanços tecnológicos com medidas de segurança e mecanismos adequados de supervisão.
Timor-Leste quer aproximar a ASEAN e o Pacífico
“Timor-Leste é membro da ASEAN e integra igualmente a comunidade de países do Pacífico. Por isso, podemos servir de ponte para aproximar os países do Pacífico da Ásia, quando necessário”, afirmou Hélder Lopes aos jornalistas, à margem do encontro.
O dirigente sublinhou que a adesão plena de Timor-Leste à organização regional, em outubro de 2025, permite ampliar as oportunidades de cooperação sem diminuir o compromisso com os parceiros do Pacífico.
Neste âmbito, o BCTL prevê estabelecer acordos com os Bancos Centrais das Fiji, de Samoa e da Papua-Nova Guiné, com áreas de colaboração adaptadas às necessidades de cada instituição.
A cooperação com as Fiji e Samoa deverá privilegiar a troca de informações, conhecimentos e experiências sobre as funções e responsabilidades dos bancos centrais. Já a parceria com a Papua-Nova Guiné deverá incluir a partilha de experiências sobre a criação e a gestão de fundos soberanos.
Segundo Hélder Lopes, as autoridades da Papua-Nova Guiné manifestaram interesse em conhecer a experiência timorense na gestão do Fundo Petrolífero, na sequência de uma visita do Presidente da República, José Ramos-Horta, àquele país.
A partilha de conhecimentos poderá contribuir para o desenvolvimento do fundo soberano que a Papua-Nova Guiné está a preparar, enquanto Timor-Leste poderá beneficiar da experiência dos parceiros regionais nas áreas da tecnologia e do desenvolvimento dos sistemas financeiros.
O Governador destacou a Austrália e a Nova Zelândia como parceiros com experiência relevante em diferentes áreas do setor financeiro.
BCTL propõe interligar pagamentos digitais para reduzir custos das remessas
O BCTL defende a interligação dos sistemas de pagamentos digitais entre os países do Pacífico, com vista a tornar as transferências internacionais mais rápidas e acessíveis, reduzir os custos das remessas e facilitar as transações comerciais.
“A nossa próxima ambição é criar conectividade nos pagamentos para além das fronteiras nacionais”, afirmou Hélder Lopes, explicando que Timor-Leste tem vindo a desenvolver sistemas nacionais de pagamentos por código QR identificado como TUQR nos materiais da reunião.
A experiência nacional poderá contribuir para a criação de soluções regionais que permitam a interoperabilidade entre os sistemas de diferentes países, beneficiando cidadãos, empresas e trabalhadores que enviam dinheiro para as suas famílias.
As Fiji foram apontadas como um dos parceiros com potencial para desenvolver iniciativas de cooperação nesta área.
Em Timor-Leste, esta proposta assume particular importância devido ao peso das remessas na economia nacional. Segundo Hélder Lopes, estes recursos representam mais de 10% do Produto Interno Bruto.
A redução dos custos e do tempo das transferências poderá beneficiar os trabalhadores timorenses no estrangeiro e as famílias que dependem do dinheiro enviado para o país.
O responsável acrescentou que a digitalização pode melhorar a eficiência dos pagamentos governamentais, alargar o acesso aos serviços financeiros formais e facilitar o acesso das pequenas empresas aos serviços bancários.
Contudo, alertou que a expansão dos pagamentos digitais deve ser acompanhada pelo reforço da cibersegurança, da proteção dos consumidores, da governação e da supervisão financeira.
“A transformação digital não deve acontecer apenas porque a tecnologia está disponível ou porque é uma tendência. Deve ajudar a reduzir custos, ampliar a inclusão financeira e melhorar o funcionamento do sistema financeiro para as famílias e as empresas”, sublinhou.
A reunião contou também com a presença de representantes dos Bancos Centrais dos países do Pacífico, incluindo da Austrália e da Nova Zelândia, bem como parceiros internacionais de desenvolvimento.
Notícia relevante: Acordo entre BCTL e Bank Indonesia reforça pagamentos digitais
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus

