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Governo leva campanha da Economia Azul a Liquiçá e lança Lenuk-Tasi para combater lixo plástico

O Governo lançou hoje, em Liquiçá, uma campanha de sensibilização sobre a Política da Economia Azul, acompanhada pela iniciativa Lenuk-Tasi. Foto:Afonso do Rosário

LIQUIÇÁ, 14 de setembro de 2026 (TATOLI) – O Governo lançou hoje, em Liquiçá, uma campanha de sensibilização sobre a Política da Economia Azul, acompanhada pela iniciativa Lenuk-Tasi, um lixeiro em forma de tartaruga destinado à recolha de garrafas de plástico e outros resíduos. O objetivo é alertar as comunidades escolares para a necessidade de proteger o ambiente e reduzir a poluição marinha.

A campanha foi promovida pelo Ministério da Educação (ME), em parceria com o Gabinete das Fronteiras Terrestres e Marítimas, com a Autoridade Municipal de Liquiçá, escolas e outras entidades relevantes.

A iniciativa pretende incentivar, sobretudo entre os estudantes, a redução do uso de plástico e a adoção de práticas adequadas de gestão de resíduos, lembrando que o lixo abandonado pode ser arrastado pelas chuvas para ribeiras e, posteriormente, para o mar.

Educação como base da Economia Azul

Estudantes do CAFE de Liquiçá participaram no lançamento de campanha de sensibilização sobre a Política da Economia Azul. Foto: Afonso do Rosário

Na sua intervenção, a Ministra da tutela, Dulce Soares, destacou o papel das escolas na formação de uma geração consciente da importância, da proteção, do ambiente e dos recursos marinhos.

“Proteger o mar também se aprende. E deve aprender-se desde cedo”, afirmou a governante.

Segundo a governante, o ME tem integrado de forma transversal temas relacionados com a proteção do ambiente, dos oceanos e dos recursos naturais no currículo do Ensino Básico. O ministério utiliza também recursos educativos produzidos pelo Gabinete das Fronteiras Terrestres e Marítimas, incluindo o livro O Meu Mar, O Meu Timor, destinado a reforçar a literacia sobre o oceano e o conhecimento da biodiversidade marinha.

Os materiais foram distribuídos pelas escolas e acompanhados por ações de formação para professores, permitindo-lhes transmitir esses conteúdos aos estudantes e incentivar a aplicação das aprendizagens no quotidiano, nas famílias e nas comunidades.

Dulce Soares destacou ainda a iniciativa Lenuk-Tasi como um símbolo da responsabilidade individual na gestão dos resíduos. “Cada garrafa colocada dentro desta tartaruga é uma garrafa que não ficou abandonada no chão, que não foi levada pela chuva para uma vala, que não seguiu para uma ribeira e que não acabou no nosso mar”, afirmou.

A ministra apelou às escolas para darem o exemplo na separação, recolha e encaminhamento dos resíduos, alertando também para os riscos da queima de lixo, sobretudo plástico.

O ME prevê levar o programa de sensibilização sobre a Economia Azul aos municípios de Aileu, Manatuto, Baucau e Lautém.

Escola CAFE de Liquiçá promove reciclagem com setor privado

No âmbito da atividade, o Centro de Aprendizagem e Formação Escolar (CAFE) de Liquiçá apresentou uma iniciativa de cooperação com a empresa Caltech, orientada para a recolha e reciclagem de resíduos plásticos.

Estudantes do CAFE de Liquiçá participaram no lançamento de campanha de sensibilização sobre a Política da Economia Azul. Foto: Afonso do Rosário

A parceria prevê a recolha do plástico acumulado na escola e a sua transformação em produtos com valor económico, demonstrando aos estudantes que os resíduos podem ser reaproveitados através de processos de reciclagem.

O ME considerou a iniciativa uma prática positiva de educação ambiental, por associar a sensibilização dos estudantes à aplicação concreta de soluções para a gestão dos resíduos.

Liquiçá prepara taxa para deposição indiscriminada de resíduos

Por sua vez, o Presidente da Autoridade Municipal (PAM) de Liquiçá, Paulino Ribeiro, anunciou que a Direção Municipal de Água e Saneamento está a preparar uma proposta para estabelecer uma taxa aplicável às pessoas que depositam resíduos de forma indiscriminada.

“Estamos atualmente a preparar um esboço que será apresentado ao Conselho de Coordenação Municipal para a aprovação, de modo a podermos aplicar uma taxa à comunidade que deita lixo de forma indiscriminada”, afirmou Paulino Ribeiro, prevendo a aplicação da medida no próximo ano.

A regulamentação deverá abranger também visitantes provenientes de outros municípios que depositem resíduos de forma aleatória em Liquiçá, ficando sujeitos ao pagamento da respetiva taxa.

Segundo Paulino Ribeiro a medida pretende reforçar a responsabilidade comunitária na deposição adequada dos resíduos e contribuir para uma melhor gestão ambiental no município. O dirigente garantiu ainda que as ações de sensibilização sobre a Economia Azul serão alargadas aos sucos, através de reuniões com as autoridades locais e as comunidades.

Governo quer envolver todos na implementação

A Coordenadora Principal da Unidade de Economia Azul do Gabinete das Fronteiras Terrestres e Marítimas, Inês Araújo Gonçalves, referiu que a implementação da Política da Economia Azul exige a participação de diferentes setores da sociedade.

Foto: Afonso do Rosário

Apesar de o Executivo ter aprovado a Política da Economia Azul em fevereiro deste ano, a responsável sublinhou que a sua execução não pode depender apenas das instituições governamentais.

“O Governo sozinho não consegue implementar esta política. É necessário o apoio de todas as entidades, incluindo os meios de comunicação social, para disseminar a informação sobre a Economia Azul”, afirmou Inês Gonçalves.

Inês Gonçalves apelou também aos estudantes para contribuírem para a redução do uso de plástico, considerando a iniciativa Lenuk‑Tasi um instrumento de sensibilização para incentivar a deposição correta de garrafas e outros resíduos. A imagem da tartaruga é utilizada como símbolo da proteção do oceano e da responsabilidade ambiental, chamando a atenção para os impactos do plástico nos ecossistemas marinhos.

A atividade incluiu ainda a apresentação da Política da Economia Azul em Timor‑Leste, a exibição de um vídeo informativo, uma sessão de perguntas e respostas e uma exposição de produtos provenientes da pesca sustentável e de artesanato local.

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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