UNICEF: Crise climática afeta mais de um milhão de estudantes lusófonos

DÍLI, 11 de setembro de 2026 (TATOLI) — Mais de um milhão de estudantes em países lusófonos viram a sua educação afetada por fenómenos climáticos extremos em 2025, segundo um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
O estudo indica que tempestades, inundações, ondas de calor e secas interromperam o percurso escolar de 171 milhões de crianças e adolescentes em 106 países no ano passado. Cerca de 75% dos afetados vivem em países de baixo e médio rendimentos.
Entre os países lusófonos analisados, o Brasil registou o maior número de estudantes afetados, com mais de 745 mil jovens expostos a ondas de calor. Em Moçambique, Cabo Verde e na Guiné-Bissau, quase 300 mil estudantes sofreram as consequências de chuvas intensas e inundações. Em Portugal, cerca de 28 mil alunos tiveram o calendário escolar alterado devido a fenómenos climáticos extremos.
Tempestades lideram interrupções escolares
A nível mundial, as tempestades foram o fenómeno climático com maior impacto na educação, atingindo 109 milhões de crianças e jovens. As inundações surgem em segundo lugar, com 70 milhões de estudantes afetados, seguidas pelas ondas de calor, que atingiram cerca de 50 milhões.
No Egipto e no Paquistão, milhões de estudantes ficaram sem aulas na sequência de tempestades. Em Espanha, mais de 500 mil alunos foram afetados por episódios de chuvas intensas e calor extremo.
Para a Diretora-Executiva da UNICEF, Catherine Russell, a crise climática está a aprofundar desigualdades já existentes e representa um risco particularmente elevado para as raparigas. Além da interrupção das aulas, as crianças enfrentam outros efeitos, como deslocação forçada, destruição de instalações sanitárias e redução do rendimento das famílias. Estes fatores aumentam o risco de abandono escolar e, no caso das raparigas, podem contribuir para o casamento infantil e para uma maior carga de tarefas domésticas.
Impacto económico pode prolongar-se
Os efeitos da crise climática não se limitam à interrupção imediata das aulas. A UNICEF estima que os impactos registados em 2025 poderão traduzir-se em perdas de rendimentos futuros de até 200 mil milhões de dólares americanos.
A organização defende, por isso, o reforço dos sistemas educativos e o investimento em infraestruturas capazes de resistir a fenómenos climáticos extremos. Recomenda também um aumento do financiamento para a adaptação às alterações climáticas e a integração da educação ambiental na formação de crianças e jovens.
A UNICEF considera ainda essencial melhorar os sistemas de recolha e análise de dados para permitir respostas mais rápidas às crises, antecipar riscos e acelerar a recuperação das atividades escolares.
O estudo alerta, assim, para a crescente relação entre as alterações climáticas e a desigualdade no acesso à educação, sobretudo nas comunidades mais vulneráveis.
Equipa da Tatoli

