Ramos-Horta: Memória dos quatro prelados integra a história nacional

DÍLI, 10 de setembro de 2026 (TATOLI) – O Presidente da República (PR), José Ramos-Horta, afirmou que a memória dos quatro prelados homenageados em Díli “pertence igualmente à história de Timor-Leste”, sublinhando o papel da Igreja Católica no acompanhamento do povo durante os a guerra, a ocupação e os períodos de maior sofrimento.
A cerimónia fúnebre decorreu na Catedral de Díli, após a missa celebrada em Tasi Tolu, sob o tema Retratos da Fé e Memória Eterna da Igreja e de Timor-Leste – Celebrando a Herança e o Sacrifício dos Nossos Saudosos Prelados.
Ramos Horta destacou que, embora os quatro prelados tenham exercido o seu ministério em épocas distintas, todos estiveram profundamente ligados ao povo timorense e ao serviço da Igreja. Recordou de forma particular o Monsenhor Martinho da Costa Lopes, citando uma frase publicada em 1973 – “Maubere, meu Irmão. O Sol já vai alto, os seus raios são também para ti. Levanta-te, são horas” – que, afirmou, simboliza a caminhada de Timor-Leste rumo à independência.

“O nosso povo levantou-se! Levantou-se através da Resistência, da fé, da solidariedade e da determinação de homens e mulheres que, dentro e fora do país, recusaram aceitar o silêncio perante o sofrimento e a perda da dignidade”, declarou.
O Chefe de Estado evocou o papel da Igreja durante a Resistência, salientando que muitos sacerdotes e religiosos partilharam riscos com as comunidades e denunciaram injustiças.
Ao recordar individualmente os quatro prelados, Ramos-Horta destacou:
- a dedicação de Dom Jaime Garcia Goulart à organização e consolidação da Igreja, à educação e à formação das comunidades;
- a proximidade de Dom José Joaquim Ribeiro às populações num período de grandes mudanças e sofrimento;
- a voz firme de Monsenhor Martinho da Costa Lopes na defesa da dignidade e dos direitos do povo, dentro e fora do país;
- o empenho de Dom Alberto Ricardo da Silva, natural de Aileu, na formação do clero e no acompanhamento de uma nova fase da história nacional enquanto Bispo de Díli.
Ramos-Horta lembrou que os três prelados permaneceram sepultados durante décadas em Portugal, enquanto Dom Alberto Ricardo da Silva repousava em Díli. “Hoje, os quatro encontram-se novamente na sua terra”, afirmou, agradecendo às autoridades portuguesas, à Igreja Católica em Portugal e às dioceses de timorenses pelo processo de repatriamento.

O Presidente afirmou que a memória deve ajudar o país a compreender o presente e a assumir o futuro, apontando desafios como o combate à pobreza, a criação de oportunidades para os jovens, a melhoria da educação e da saúde e a garantia de que o desenvolvimento alcance todas as comunidades.
Conclui que os quatro prelados foram “construtores de pontes” entre a Igreja e o povo, entre Timor-Leste e o mundo e entre diferentes gerações da história nacional.
“Estamos a devolver à nossa terra uma parte importante da sua história”, afirmou, desejando que a memória dos prelados permaneça viva na Igreja e no coração do povo timorense.
Notícia relevante: O Regresso dos Prelados a Timor-Leste: Um Ato de Justiça Histórica e Memória
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus

