República Democrática do Congo precisa de mais cinco mil profissionais para travar avanço do Ébola

DÍLI, 10 de setembro de 2026 (TATOLI) — A República Democrática do Congo (RDC) precisa de recrutar mais cinco mil profissionais de saúde para reforçar a resposta ao surto de Ébola, que continua a alastrar-se pelo país, alertou a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Segundo a agência, cerca de quatro mil profissionais trabalham atualmente nos centros de tratamento, mas o número terá de mais do que duplicar para fazer face ao aumento das necessidades.
O surto já provocou seis mil casos confirmados e 3.175 mortes. Inicialmente concentrado na província de Bunia, antes de se expandir para outras regiões.
Capacidade insuficiente: mais 1.600 camas são necessárias
As autoridades instalaram 59 centros de tratamento, com uma capacidade total de 1.400 camas, numa tentativa de conter a propagação do vírus Bundibugyo, uma variante do Ébola.
A OMS estima, contudo, que sejam necessárias mais 1.600 camas para responder ao número crescente de doentes. Embora as unidades possam ser construídas rapidamente, o recrutamento, a formação e o apoio aos novos profissionais exigem mais tempo.
A gestão de um centro de tratamento com capacidade para 50 camas representa, segundo a OMS, um custo mensal de cerca de 500 mil dólares americanos.
Plano de resposta requer 1,3 mil milhões de dólares
Na passada sexta-feira, o Governo da RDC, em parceria com a OMS, com o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças e outras organizações, lançou um plano multissetorial revisto para responder ao surto.
O plano, que requer 1,3 mil milhões de dólares para os próximos seis meses, prevê o reforço da vigilância epidemiológica, rastreio de contactos, tratamento de doentes, envolvimento comunitário e preparação para novos casos.
Para as autoridades e organizações humanitárias, o desafio vai além do reforço das equipas especializadas em Ébola. É igualmente necessário assegurar a continuidade dos serviços essenciais de saúde para outras doenças.
Insegurança alimentar agrava crise em Ituri
A resposta à epidemia decorre num contexto de grave crise humanitária no leste da RDC, marcado por conflitos armados, deslocações populacionais e dificuldades de acesso a alimentos.
Durante uma visita à província de Ituri, considerada o epicentro do surto, o Diretor do Programa Alimentar Mundial no país, David Stevenson, alertou para a necessidade de integrar a assistência alimentar na resposta à epidemia.
Segundo o responsável, mais de 500 mil pessoas enfrentam níveis de fome classificados como nível 4, apenas patamar abaixo da situação de fome extrema.
As necessidades humanitárias permanecem elevadas em todo o país. O Plano de Resposta Humanitária da RDC, avaliado em 2,1 mil milhões de dólares, dispõe atualmente de financiamento correspondente a apenas cerca de metade do montante necessário.
A RDC já enfrentou 17 surtos de ébola desde a descoberta do vírus, há cerca de cinco décadas.
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Equipa da Tatoli

