Importações atingem 580 milhões de dólares no primeiro semestre, com Indonésia e Taiwan como principais fornecedores

DÍLI, 10 de setembro de 2026 (TATOLI) — As importações de bens totalizaram 580 milhões de dólares americanos no primeiro semestre deste ano, com a Indonésia e Taiwan a destacarem-se como os principais fornecedores do país, segundo dados do Banco Central de Timor-Leste (BCTL).
A Indonésia liderou a lista, com exportações avaliadas em 177,9 milhões de dólares entre janeiro e junho. Taiwan ocupou a segunda posição, com 131,2 milhões de dólares, seguida da China, com 72,1 milhões, Singapura, com 33,3 milhões, e Índia, com 31,8 milhões.
Os dados integram o relatório Timor-Leste Mid-Term Economic Review 2026, apresentado hoje pelo Diretor-Executivo para a Economia e Política Monetária do BCTL, Gastão de Sousa.
Combustíveis lideram as importações
Os combustíveis constituíram a maior fatia das despesas de importação, atingindo 175 milhões de dólares. Seguiram-se os veículos, com 59 milhões.
Entre os restantes produtos, os cereais representaram 32 milhões, enquanto as máquinas e os equipamentos elétricos corresponderam a 26 e 19 milhões, respetivamente.
O volume das importações contrasta fortemente com o desempenho das exportações timorenses: no mesmo período, as exportações domésticas não petrolíferas e de gás somaram apenas 15,5 milhões de dólares. Incluindo as reexportações, o valor total ascendeu a 19,7 milhões.
Dependência das importações continua a ser um desafio
Gastão de Sousa alertou que a forte dependência de bens importados permanece como um dos principais desafios estruturais da economia. “Esta dependência limita o valor acrescentado doméstico decorrente do aumento da procura e contribui para o atual desequilíbrio externo”, explicou o dirigente.
Segundo o dirigente, a reduzida capacidade de produção interna e as dificuldades em acompanhar o crescimento da procura impedem que a oferta nacional acompanhe a expansão da atividade económica.
A situação refletiu-se também na posição externa do país: o défice da conta corrente aumentou 27%, passando de 294,4 milhões de dólares no primeiro semestre de 2025 para 374,1 milhões no mesmo período deste ano.
O défice comercial de bens e serviços cresceu igualmente 19,2%, atingindo 582,5 milhões de dólares.
Por outro lado, o rendimento primário diminuiu 10,3%, para 125,9 milhões, enquanto o rendimento secundário subiu para 82,6 milhões, contribuindo para atenuar parcialmente a pressão sobre a conta corrente.
BCTL defende reforço da produção nacional
Apesar do crescimento das exportações não petrolíferas e de gás, o BCTL considera que estas continuam insuficientes face às as necessidades de importação do país.
A instituição aponta a elevada dependência das importações, a limitada capacidade produtiva interna e a reduzida diversificação das exportações como fatores de vulnerabilidade para a economia timorense.
A médio prazo, o BCTL defende o reforço produção nacional e a diversificação das exportações como medidas essenciais para melhorar a resiliência externa do país. Estas mudanças poderão contribuir para reduzir a dependência de bens estrangeiros e criar condições para um crescimento económico mais sustentado, impulsionado pelo setor privado.
Jornalista: Arminda Fonseca/Tradução: Equipa da Tatoli
Editora: Maria Auxiliadora

