Timor-Leste deve apostar nas suas próprias potencialidades, defendem especialistas internacionais

DÍLI, 25 de agosto de 2026 (TATOLI) – Timor-Leste deve definir as suas políticas de ciência, tecnologia e inovação com base nas suas características, recursos e necessidades, evitando copiar modelos de desenvolvimento de outros países.
A recomendação foi feita, esta terça-feira, pelo especialista em informática Yiannis Ioannidis e pelo economista Leander Heldring, durante a Sessão Paralela dedicada à análise de políticas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, realizada hoje no Palácio Presidencial, em Díli.
A Sessão integrou a Cimeira de Ciência para o Desenvolvimento 2026, que reúne cientistas, académicos, especialistas e decisores políticos para discutir o papel da ciência, tecnologia e inovação no desenvolvimento nacional.
Ioannidis: Adaptar experiências externas à realidade timorense
Na sessão moderada pelo Governador do Banco Central de Timor-Leste, Hélder Lopes, Yiannis Ioannidis defendeu que Timor-Leste deve analisar as experiências de outros países e identificar aquelas que mais se aproximam da realidade nacional, antes de adaptar essas experiências às próprias necessidades.
“Não há nenhum país ou região no mundo que seja igual a outro”, afirmou, salientando que Timor-Leste é um país jovem e possui também uma população jovem, características que o diferenciam de muitos outros países.
O especialista destacou que Timor-Leste deve analisar os seus recursos – incluindo o petróleo e o gás, que hoje têm peso na economia – e utilizá-los para preparar uma economia sustentável. Apontou os Emirados Árabes Unidos como exemplo de um país que utilizou os recursos petrolíferos para desenvolver setores como o turismo, as finanças, a inovação e a tecnologia.
Ioannidis insistiu que Timor-Leste deve identificar áreas próprias de especialização e desenvolver soluções ajustadas às condições nacionais, defendendo que o investimento tecnológico pode aumentar a produtividade e melhorar serviços públicos, educação e outros setores.
Heldring: desenvolver setores onde o país já possui vantagens
O economista Leander Heldring reforçou que Timor-Leste não deve tentar competir diretamente com países na vanguarda científica e tecnológica, mas sim apostar nos setores onde possui vantagens comparativas.
O professor da Escola de Gestão Kellogg da Universidade Northwestern, dos Estados Unidos da América, recordou que mesmo países desenvolvidos enfrentaram limitações: a Dinamarca que, durante a Revolução Industrial, não tentou copiar a Inglaterra, investindo na produção de lacticínios e tornando-se exportadora de manteiga; a Suécia que desenvolveu competências relacionadas com a exploração de madeira e minério de ferro, setores associados aos seus próprios recursos.
“Quando pensamos em ciência e tecnologia, queremos ser como outros países ou queremos desenvolver aquilo em que somos bons?”, questionou.
Heldring citou ainda Cabo Verde, que orientou o desenvolvimento tecnológico para necessidades concretas do setor do turismo, investindo em aeroportos, estradas, hotéis e outras infraestruturas.
Para o economista, esta abordagem liga diretamente ciência e tecnologia ao desenvolvimento económico, concentrando a inovação na resolução de problemas reais. Por isso, defendeu que Timor-Leste deve identificar os setores onde possui vantagens e orientar a investigação científica para responder às necessidades desses setores.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus

