DÍLI, 14 de julho de 2026 (TATOLI) – Kirsty Sword Gusmão prestou uma sentida homenagem a Paula Pinto, que faleceu ontem aos 69 anos, no Hospital Nacional Guido Valadares.
Numa publicação na sua conta de Facebook, destacou o papel decisivo que Paula Pinto desempenhou na luta pela independência timorense e o legado humano e político que deixou junto daqueles que com ela trabalharam.
Kirsty Sword Gusmão recordou que conheceu Paula Pinto em meados da década de 1990, quando ambas descobriram duas paixões comuns: Timor-Leste e as línguas. Tradutora e intérprete de reconhecido talento, Paula Pinto fazia da tradução o seu sustento, mas dedicava grande parte da sua energia e do seu tempo à causa timorense.
Nos meses que antecederam a Consulta Popular de 1999, Kirsty visitou por diversas vezes Paula Pinto e o seu companheiro, Roque Rodrigues, em Lisboa. Durante esse período, assegurou a troca de correspondência entre o casal e Xanana Gusmão, preso na cadeia de Cipinang, em Jacarta.
De acordo com Kirsty, foi através de Paula Pinto e de Roque Rodrigues que aprofundou o conhecimento sobre a realidade política da diáspora timorense, compreendendo melhor os desafios e as oportunidades que marcavam o caminho para a independência.
Após a transferência de Xanana Gusmão para prisão domiciliária, em fevereiro de 1999, Kirsty Sword Gusmão, Paula Pinto e a francesa Natacha Meden assumiram a responsabilidade de coordenar um pequeno gabinete de apoio instalado junto à residência onde o líder timorense permanecia sob vigilância.
Ao longo desses meses, Paula Pinto desempenhou múltiplas funções. Serviu de intérprete de Xanana Gusmão em reuniões consideradas determinantes, elaborou notas e traduziu documentação, além de coordenar os inúmeros pedidos de entrevista da comunicação social nacional e internacional.
Kirsty Sword Gusmão sublinha que o contributo de Paula Pinto foi muito além das funções formais. Prestou apoio permanente à pequena equipa que acompanhava Xanana Gusmão, aos antigos companheiros de prisão do líder timorense, como João Câmara e Fernando de Araújo, bem como aos jovens que integravam a sua equipa de segurança.
“Foi a âncora que impediu muitos de nós de sucumbir à incerteza e à ansiedade”, escreve Kirsty Sword Gusmão, descrevendo os oito meses que antecederam o referendo como um período marcado por constantes mudanças políticas e enorme tensão.
Após o anúncio da vitória esmagadora da independência no referendo de setembro de 1999, e perante o agravamento da hostilidade contra timorenses e australianos em Jacarta, Paula Pinto voltou a assumir um papel determinante.
Kirsty recorda que foi Paula Pinto quem negociou diretamente com as autoridades britânicas a transferência de Xanana Gusmão para a Embaixada do Reino Unido, de modo a garantir a sua segurança numa fase particularmente crítica.
“Paula permanecerá viva na minha memória e, estou certa, também no coração dos muitos timorenses que tanto lhe devem”, concluiu.
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Equipa da Tatoli




