DÍLI, 20 de junho de 2026 (TATOLI) – A Embaixada de Portugal em Timor-Leste inaugurou esta sexta-feira, no Centro Cultural Jorge Sampaio, em Díli, uma exposição pelo centenário da morte de Camilo Pessanha. A iniciativa pretende promover o intercâmbio cultural entre Portugal, Timor-Leste e a Ásia. Considerado uma das figuras mais relevantes da literatura portuguesa, Pessanha viveu e escreveu em Macau.
No evento, o Embaixador de Portugal em Timor-Leste, Duarte Alves, afirmou que a exposição homenageia Camilo Pessanha e contribui para reforçar os laços culturais entre os dois países.

“Achamos interessante trazer para o nosso centro cultural e para a Embaixada de Portugal um escritor, um poeta e um intelectual que foi um agente do diálogo entre a Europa e a Ásia, entre Portugal e Macau”, disse.
Camilo Pessanha, nascido em Coimbra em 1867 e morto em Macau em 1926, integra o grupo de escritores portugueses que aproximaram Portugal do Oriente, como Luís de Camões, Ruy Cinatti e Fernão Mendes Pinto.
O elemento central da exposição é uma instalação artística criada pela Arte Moris especialmente para a ocasião. A organização timorense dedica-se à promoção das artes visuais.
Para Duarte Alves, a parceria com a Arte Moris reforça o compromisso da Embaixada de Portugal com a criação artística local e com o apoio a artistas timorenses.

“Nós queremos trabalhar com os artistas timorenses. Queremos incentivar a criatividade timorense e dar oportunidade aos artistas para desenvolverem o seu trabalho no nosso centro cultural”, referiu.
O embaixador considera ainda que a iniciativa simboliza o encontro entre culturas, tanto na obra de Camilo Pessanha como na produção artística contemporânea de Timor-Leste.
“Se tivesse de sintetizar numa única mensagem, seria a importância do diálogo cultural. A obra de Camilo Pessanha resulta do encontro entre a sua origem portuguesa e a vida que passou na Ásia. Esta instalação da Arte Moris é também fruto desse diálogo cultural entre Timor-Leste e Portugal”, frisou.
A exposição ficará aberta ao público durante um mês. O programa inclui estudantes, professores, investigadores, artistas e outros interessados em literatura e artes. Na inauguração houve leitura de poemas de Camilo Pessanha e um fado inspirado num texto do escritor, interpretado por uma aluna dos Centros de Aprendizagem de Formação Escolar.

A Vice-Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Jesuína Gomes, afirmou que a exposição homenageia o legado de Camilo Pessanha, uma das figuras mais importantes da literatura portuguesa.
“Esta exposição é uma homenagem ao seu legado e uma oportunidade para celebrar a importância da língua, da cultura e da literatura na aproximação entre os povos”, afirmou.
A governante sublinhou que o português continua fundamental em Timor-Leste como língua oficial e instrumento de educação, administração pública e diplomacia com os países lusófonos.
“Iniciativas como esta ajudam a promover o diálogo cultural, a compreensão mútua e os laços de amizade entre os nossos povos”, acrescentou.
O Coordenador da Arte Moris, Evangelino Manuel, agradeceu à Embaixada de Portugal pela confiança no trabalho da organização. A instalação central da exposição inspira-se em Camilo Pessanha e usa fios e cartões suspensos, numa referência à literatura de cordel. Os visitantes são convidados a escrever mensagens e reflexões sobre o poeta e integrá-las na peça. “Queremos que o público participe, escrevendo o que conhece ou sente sobre Pessanha”, explicou Manuel.
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




