DÍLI, 17 de junho de 2026 (TATOLI) – A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou para o aumento da propagação de doenças animais transfronteiriças. A organização sublinha a crescente circulação de animais, pessoas e produtos está a acelerar a disseminação de agentes causadores de doenças entre diferentes regiões do mundo.
Segundo a agência das Nações Unidas, doenças como a gripe aviária, a febre aftosa – uma doença viral altamente contagiosa que afeta animais de casco fendido – e a peste suína africana continuam a representar sérias ameaças para a produção pecuária mundial. A estas juntam-se outras doenças zoonóticas emergentes, como o hantavírus dos Andes, o vírus Ébola e o vírus Nipah, que podem igualmente afetar a saúde humana.
A FAO destaca que o setor pecuário desempenha um papel fundamental na economia global, sustentando mais de mil milhões de meios de subsistência e gerando mil milhões de dólares americanos todos os anos. Neste contexto, a proteção da saúde animal é considerada essencial para garantir a segurança alimentar, promover o comércio internacional e assegurar a estabilidade económica das comunidades rurais.
A organização sublinha que os fatores que favorecem a propagação das doenças estão a tornar-se cada vez mais complexos. Entre eles figuram o aumento da mobilidade de animais e pessoas, as alterações nos sistemas de produção agropecuária, as pressões ambientais e as desigualdades existentes na capacidade de vigilância e na resposta veterinária entre os países.
Perante este cenário, a FAO defende o reforço dos sistemas de vigilância sanitária, a deteção precoce de surtos, a partilha rápida de informação e uma cooperação internacional mais estreita.
O Diretor-Geral adjunto da FAO, Tiensin Thanawat, alertou que os impactos dos surtos ultrapassam largamente o setor pecuário.
“Os surtos não afetam apenas a saúde animal. Perturbam a produção agrícola, o comércio e o turismo, ameaçam os meios de subsistência, agravam os riscos para a segurança alimentar e, em alguns casos, representam riscos diretos para a saúde humana”, afirmou.
O organismo refere ainda que as doenças animais transfronteiriças provocam perdas económicas avultadas.
Para a Diretora-Geral adjunta da organização, Beth Bechdol, a prevenção continua a ser a estratégia mais eficaz e menos onerosa para reduzir os impactos destas doenças.
“A experiência demonstra de forma consistente que a prevenção e a preparação são mais eficazes e menos dispendiosas do que responder a um surto depois de este já se ter instalado”, referiu.
A responsável apelou ao reforço do investimento nos sistemas de saúde animal, considerando que esta é uma medida essencial para proteger os meios de subsistência, apoiar o comércio, fortalecer a segurança alimentar e aumentar a resiliência dos sistemas agroalimentares em todo o mundo.
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Equipa da Tatoli




