DÍLI, 13 de maio de 2026 (TATOLI) – O Presidente da República (PR), José Ramos-Horta, apelou a uma “diplomacia azul” unificada para se enfrentar as crescentes ameaças à saúde marinha. O apelo foi feito durante a sessão plenária de alto nível da Cimeira dos Oceanos da Melanésia 2026, realizada, esta terça-feira, em Port Moresby.
A intervenção ocorreu após a participação do Chefe de Estado na cerimónia oficial de abertura e no jantar de boas-vindas da cimeira, evento promovido pelo Primeiro-Ministro da Papua-Nova Guiné, James Marape, que reuniu líderes da região do Pacífico para se debater a governação sustentável dos oceanos e as respostas às alterações climáticas.
Na sua intervenção, Ramos-Horta destacou a posição geográfica e ecológica de Timor-Leste como ligação estratégica entre o Triângulo de Coral e o Pacífico, sublinhando que a biodiversidade marinha da região exige uma responsabilidade conjunta de conservação e preservação para as futuras gerações.
O PR recordou que a região alberga 76% das espécies de coral conhecidas e mais de 2.200 espécies de peixes de recife, defendendo uma cooperação reforçada entre os países do Pacífico para proteger os recursos marinhos comuns.
Durante o discurso, o Chefe de Estado apresentou as iniciativas nacionais entre as quais a nova Política da Economia Azul e a criação de um parque marinho nacional na Ilha de Ataúro.
Ramos-Horta destacou ainda o compromisso de Timor-Leste com os mecanismos internacionais de proteção ambiental, referindo as recentes ratificações de acordos sobre biodiversidade em áreas além das jurisdições nacionais.
A luta contra a poluição marinha causada por plásticos foi outro dos pontos centrais da intervenção presidencial, com referência aos compromissos assumidos por Timor-Leste no Fórum Económico Mundial e às campanhas nacionais de sensibilização, incluindo a iniciativa “Blue Fish”.
O PR reafirmou também o apoio de Timor-Leste aos objetivos ambientais coletivos do Pacífico, incluindo a meta global 30×30, após a adesão plena do país à Associação das Nações do Sudeste Asiático.
“O direito internacional não é um conceito abstrato para pequenos Estados como Timor-Leste. É o fundamento da nossa soberania, independência e integração pacífica no sistema internacional”, afirmou Ramos-Horta.
Na cerimónia de abertura, James Marape apelou à unidade internacional para proteger os oceanos, alertando que “a destruição dos oceanos conduz à destruição do planeta”. O governante defendeu igualmente a transição para uma Economia Azul sustentável, anunciando planos da Papua-Nova Guiné para promover energias renováveis e mobilidade elétrica.
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Equipa da Tatoli




