DÍLI, 10 de abril de 2026 (TATOLI) – O crescimento económico da região da Ásia e do Pacífico deverá abrandar para 5,1% em 2026 e 2027, face aos 5,4% registados no ano anterior, num contexto marcado pelo impacto do conflito no Médio Oriente e pela persistente incerteza no comércio global.
A afirmação foi proferida pelo economista do Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD) em Timor-Leste, Bold Sandagdorj, à margem da apresentação do relatório Asian Development Outlook de abril de 2026, realizada hoje em Díli.
Segundo o BAD, a inflação regional deverá igualmente aumentar, atingindo 3,6% em 2026 e 3,4% em 2027, acima dos 3,0% registados no ano passado. As projeções baseiam-se em pressupostos até 10 de março, incluindo um cenário de estabilização inicial do conflito no Médio Oriente, embora desenvolvimentos recentes apontem para o risco de perturbações mais prolongadas.
Apesar deste enquadramento adverso, o relatório indica que a região entra neste período de incerteza a partir de uma posição relativamente sólida, sustentada por uma procura interna robusta, mercados de trabalho estáveis e maior investimento público em infraestruturas.
O economista-chefe do BAD, Albert Park, alertou que um conflito prolongado no Médio Oriente representa o principal risco para as perspetivas económicas regionais, podendo manter elevados preços da energia e dos alimentos, além de apertar as condições financeiras globais.
“Num contexto de incerteza nas políticas comerciais, os Governos devem adotar políticas macroeconómicas prudentes e medidas direcionadas para proteger as famílias mais vulneráveis”, sublinhou.
O relatório analisa ainda cenários alternativos, incluindo o agravamento das pressões inflacionistas, disrupções nas cadeias de abastecimento e maior volatilidade nos mercados financeiros.
A maioria das economias em desenvolvimento da Ásia e do Pacífico deverá registar uma desaceleração no crescimento em 2026 e 2027, embora o consumo privado se mantenha resiliente e a procura por produtos ligados à Inteligência Artificial continue a expandir-se.
Na China, o crescimento económico deverá desacelerar para 4,6% em 2026 e 4,5% em 2027, face aos 5% do ano anterior, influenciado pela fragilidade do setor imobiliário e pela desaceleração das exportações. Já a Índia deverá crescer 6,9% em 2026, abaixo dos 7,6% registados anteriormente, antes de recuperar para 7,3% em 2027, impulsionada por uma forte procura interna.
Por sua vez, as economias do Pacífico deverão enfrentar a desaceleração mais acentuada, com o crescimento a cair de 4,2% em 2025 para 3,4% em 2026 e 3,2% em 2027.
O BAD refere ainda que os preços do petróleo se deverão manter elevados a curto prazo, com potencial de estabilização gradual, caso as tensões geopolíticas diminuam. Contudo, o aumento dos custos energéticos e possíveis perturbações no mercado de fertilizantes poderão intensificar a pressão sobre os preços globais dos alimentos.
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




