DÍLI, 23 de março de 2026 (TATOLI) – Em 2026, o crescimento do Produto Interno Bruto real deverá atingir os 5%, segundo o Relatório do Desempenho Económico de Timor-Leste lançado hoje pelo Banco Central de Timor-Leste (BCTL).
Segundo o mesmo documento, o crescimento deverá ser sustentado por uma execução orçamental mais eficaz, uma maior capacidade de absorção económica e reformas estruturais que visam catalisar o crescimento liderado pelo setor privado. O fortalecimento do consumo privado e o aumento dos investimentos privados também devem contribuir para o crescimento nos próximos anos.
Em 2025, a projeção de crescimento económico foi de 4,6%, sustentada por uma política fiscal expansionista, forte consumo do Governo e elevados investimentos públicos, especialmente em infraestruturas.
A mesma fonte refere que, apesar das previsões positivas, a economia continua excessivamente dependente da despesa pública e do consumo governamental, com uma contribuição limitada do investimento privado e dos setores exportadores. Os gargalos estruturais e a fraca capacidade de absorção dos recursos, além da base de exportação reduzida, continuam a traduzir os impulsos de procura em maiores importações, o que resulta numa balança comercial e conta corrente deficitárias.
“As exportações não-petrolíferas continuam concentradas em poucos produtos e em pequena escala, refletindo dificuldades históricas em termos de competitividade e diversificação da economia. O país permanece dependente de um número limitado de setores e enfrenta desafios a longo prazo para expandir suas exportações e diversificar suas atividades económicas”, conforme é referido pela mesma fonte.
A inflação registou uma queda significativa em 2025, com a taxa média a situar-se em 0,5%, impulsionada pela redução dos preços globais das commodities, pela diminuição da inflação alimentar e pelos desenvolvimentos favoráveis nas taxas de câmbio. No entanto, a baixa inflação reflete também respostas internas de oferta limitadas e a contínua dependência das importações, característica de uma economia totalmente dolarizada. Apesar de a inflação mais baixa ter ajudado a recuperar o poder de compra da população, o país continua vulnerável às flutuações externas.
A política fiscal expansionista do Governo manteve-se em 2025, com um aumento significativo no orçamento aprovado e algumas melhorias na execução das políticas.
O investimento público continuou a focar-se em infraestruturas, mas com efeitos limitados no crescimento interno devido ao elevado conteúdo de importações. Embora tenha havido progressos na mobilização de receitas não-petrolíferas, os salários fiscais continuam fortemente dependentes das transferências do Fundo Petrolífero, que têm sido feitas de forma excessiva e substancial, levantando preocupações sobre a sustentabilidade fiscal a longo prazo e sobre a equidade intergeracional.
As condições monetárias e financeiras mantiveram-se estáveis, embora com alguns desafios. O crédito ao setor privado continuou a crescer, mas de forma concentrada nas áreas de construção e comércio, enquanto setores produtivos como agricultura, manufatura e turismo registaram fluxos de crédito fracos ou em declínio. As taxas de juro permanecem elevadas, o que tem restringido o investimento privado e a profundidade financeira da economia.
A oferta monetária contraiu-se em 2025, devido ao crescimento mais lento dos depósitos e à maior liquidez fiscal apertada, embora isso não tenha sido causado por uma alteração na política monetária. A força do dólar americano ajudou a controlar a inflação importada, mas também prejudicou a competitividade das exportações, reforçando a dependência de importações e atividades não-comerciáveis. A falta de mecanismos de ajuste da taxa de câmbio continua a ser um obstáculo para o crescimento sustentável.
Perspetivas de crescimento e necessidade de reformas estruturais
Embora as perspetivas de crescimento a curto prazo se apresentem favoráveis, o modelo atual de crescimento enfrenta risco crescente quanto à sustentabilidade fiscal, à resiliência externa e à criação de empregos inclusivos. O país precisa de um reequilíbrio gradual, mas decisivo, para direcionar o crescimento para um modelo liderado pelo setor privado e impulsionado pelo investimento. Acelerando as reformas estruturais, será possível aumentar a produtividade, fortalecer o setor privado e diversificar a economia, elementos essenciais para garantir uma trajetória de crescimento estável e sustentável a médio e longo prazo.
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Equipa da Tatoli




