DÍLI, 11 de março de 2026 (TATOLI) – A escalada do conflito no Médio Oriente, envolvendo o Irão, Israel e os Estados Unidos da América, poderá ter impactos significativos no Fundo Petrolífero (FP) do país, considerado a principal fonte de receitas do país e um pilar da sua segurança económica.
A afirmação foi feita pelo economista Rui Gomes que afirmou que, embora o impacto direto sobre a economia seja limitado a curto prazo, a exposição a choques externos pode comprometer a sustentabilidade do FP e a capacidade deste financiar o Orçamento Geral do Estado.
“Este conflito não afeta apenas a economia e a segurança alimentar, mas também o nosso Fundo Petrolífero. Como ainda não exportamos petróleo, o impacto direto é reduzido, mas no futuro poderá tornar-se significativo”, informou à Tatoli.
O ex-Ministro das Finanças sublinhou que, apesar de o FP atingir atualmente 18,77 mil milhões de dólares americanos e de não existirem novas receitas de Bayu-Undan, qualquer necessidade de subsídio ou de aumento do preço do petróleo poderá acelerar a trajetória de esgotamento fiscal.
O economista referiu ainda que cerca de 65% do Fundo está investido em títulos do Tesouro norte-americano e a desvalorização do dólar americano, resultante da despolarização global, poderia reduzir o valor real destes ativos.
“Por exemplo, no ano passado, o Governo retirou 600 milhões de dólares do Fundo para financiar o Orçamento Geral do Estado, resultando numa reserva líquida de 340 milhões de dólares”, frisou.
O economista destacou a importância de se diversificar a economia e as exportações do país, sublinhando que produtos transformados com valor acrescentado e uma base de exportação mais ampla reforçam a resiliência do país perante crises externas e reduzem a dependência de importações.
Notícia relevante: Rui Gomes: Conflito no Médio Oriente pode ter impacto indireto significativo na economia do país
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




