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Tensão no Médio Oriente: Ramos-Horta alerta para eventual impacto na economia nacional

Tensão no Médio Oriente: Ramos-Horta alerta para eventual impacto na economia nacional

O Presidente da República (PR), José Ramos-Horta. Foto da Tatoli/Egas Cristóvão

DÍLI, 5 de março de 2026 (TATOLI) – O Presidente da República (PR), José Ramos-Horta, alertou para o risco de a instabilidade no Médio Oriente ter efeitos indiretos no mercado nacional, recordando as consequências da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que provocou um aumento significativo dos preços de vários produtos alimentares no país.

A posição foi apresentada à margem da cerimónia de tomada de posse da nova Vice-Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Jesuína Gomes, no Palácio Presidencial, em Díli.

Segundo o Chefe de Estado, embora o conflito decorra longe do território nacional, “o impacto poderá chegar a Timor-Leste, porque a economia mundial está muito vulnerável”. Como exemplo, referiu que, antes da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, um saco de arroz de 25 quilogramas custava cerca de 11 dólares americanos, após o início do conflito aumentou para 18 dólares devido às perturbações nas cadeias globais de abastecimento.

Ramos-Horta sublinhou ainda que um eventual bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irão poderá dificultar o transporte de petróleo, provocando uma subida dos preços da energia e afetando os mercados internacionais. “Se o petróleo não puder circular normalmente, isso terá impacto global”, afirmou.

Questionado sobre medidas que o Governo poderá adotar para mitigar eventuais efeitos económicos, o PR explicou que, “caso o cenário se agrave, uma das opções será a mobilização de verbas do Fundo Soberano para assegurar a importação de alimentos essenciais e evitar uma pressão excessiva sobre os preços no mercado interno”.

O Chefe de Estado advertiu igualmente que uma eventual desvalorização do dólar americano poderia agravar a situação, tornando as importações mais dispendiosas. “Se o dólar enfraquecer devido ao conflito, os produtos que compramos poderão tornar-se ainda mais caros”, salientou.

No que se refere à capacidade da economia interna para enfrentar um cenário adverso, Ramos-Horta reconheceu que nenhum país está imune às consequências de um conflito internacional desta dimensão, defendendo, por isso, um acompanhamento atento da evolução da situação nas próximas semanas.

O PR reiterou que o Executivo deverá manter-se vigilante, sobretudo quanto ao impacto direto sobre as camadas mais vulneráveis da população, defendendo a adoção de medidas preventivas para proteger os cidadãos com menores rendimentos.

É importante recordar que o Médio Oriente entrou numa nova vaga de conflitos após os Estados Unidos da América (EUA) e Israel terem lançado, no passado dia 28 de fevereiro, ataques contra o Irão.

Em retaliação, as autoridades iranianas efetuaram ataques não apenas a Israel, mas também às bases militares estadunidenses localizadas em vários países aliados dos EUA na região. Segundo a imprensa local, mais de mil pessoas perderam a vida no Irão desde sábado.

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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