Timor-Leste lidera Presidência do Grupo dos Países Menos Desenvolvidos para 2026-2027

DÍLI, 3 de fevereiro de 2026 (TATOLI) – Timor-Leste assumiu oficialmente a Presidência do Grupo dos Países Menos Desenvolvidos (PMD) para o período 2026-2027, sucedendo ao Malawi, numa cerimónia de transição realizada hoje no Salão Nobre do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, em Díli.
O Grupo dos PMD vai ser liderado pelo Enviado Especial para os Assuntos Climáticos de Timor-Leste, Embaixador Adão Barbosa.
A presidência foi formalmente entregue pelo antigo Presidente do Grupo PMD, Evans Njewa, na presença do Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Bendito Freitas, e da Diretora dos Assuntos Ambientais do Malawi, Towonga Mbale.
Bendito Freitas afirmou que a transição da presidência constitui “um papel importante de Timor-Leste no multilateralismo, sobretudo nos assuntos globais ligados às alterações climáticas, ao financiamento internacional e à gestão de riscos de desastres naturais”.
Segundo o Ministro, a liderança de Timor-Leste foi decidida à margem da 30.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30), decorrida no ano passado, em Belém, no Brasil.
“É motivo de orgulho, mas também um grande desafio, pois reflete a confiança da comunidade internacional na política externa e na participação ativa de Timor-Leste nos fóruns multilaterais”, sublinhou.
Bendito Freitas recordou ainda que esta confiança internacional surge num momento em que Timor-Leste aderiu à Associação das Nações do Sudeste Asiático e assumiu igualmente a Presidência temporária da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, organização que integra vários Estados-Membros do Grupo dos PMD. Garantiu, por isso, total apoio político e institucional ao trabalho de Adão Barbosa.
Por sua vez, o novo dirigente do Grupo afirmou que Timor-Leste se sente honrado pela confiança depositada pelos Estados-Membros do Grupo dos PMD para liderar o organismo nas negociações internacionais. “O nosso objetivo é garantir que as decisões globais reflitam as prioridades, vulnerabilidades económicas, climáticas e sociais dos países menos desenvolvidos”, declarou.
O diplomata explicou que a presidência irá se centrar na “defesa de financiamento climático adequado, na redução das emissões de gases com efeito de estufa para limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius, bem como no reforço da adaptação, resiliência climática e energias renováveis”.
Adão Barbosa anunciou ainda que Timor-Leste organizará, em abril, a primeira reunião estratégica do Grupo dos PMD, em Díli, e, em outubro, uma segunda sessão preparatória antes da COP31, na Turquia.
Evans Njewa, por seu turno, destacou o espírito de solidariedade e unidade do grupo, afirmando que os países menos desenvolvidos, apesar de contribuírem “minimamente para as emissões globais, são os que mais sofrem os impactos das alterações climáticas”. Manifestou confiança na capacidade de liderança de Timor-Leste e garantiu o apoio contínuo do Malawi durante o mandato do Embaixador Adão Barbosa.
Já Towonga Mbale felicitou Timor-Leste e o Embaixador Adão Barbosa, sublinhando que o Grupo dos PMD continua na linha da frente dos impactos climáticos. Defendeu a necessidade de se reforçar o “financiamento para operacionalizar o fundo para perdas e danos e simplificar o acesso aos mecanismos financeiros internacionais”.
É de lembrar que o Grupo dos PMD foi criado pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em 1971, com objetivo de erradicar a pobreza, capacitar os países para saírem do grupo, diversificar as economias e aumentar a resiliência climática e económica. O organismo conta atualmente com mais de 46 países.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus

