Escritor: Caetano da Costa Bobo
Hoje são inúmeras as vezes, que se ouve que as crianças e jovens são o futuro de um país e que é necessário que sejam dadas as devidas atenções a vários aspectos, sendo principalmente, na área da educação familiar e académica. Assim, e segundo a minha opinião, em Timor-Leste esta situação encontra-se comprometida, pois encontram-se muitas crianças sem rumo certo, devido às faltas de responsabilidade do controlo parental e do ensino.
As famílias que são as principais encarregadas pela educação dos mais jovens, por vezes sentem dificuldade em atuar e colocar em prática os seus papéis como pais.
No contexto de Timor-Leste, algumas famílias, deixam os filhos, que são dádivas de Deus, andarem de forma vagabunda, pois não procuram impor regras, como por exemplo, cumprir o horário, que devem vir a casa a almoçar, jantar, estudar, bem como responsabilizá-los em fazer as actividades que lhes sejam dadas no dia a dia.
Na minha perspectiva, muitas famílias estão a sentir dificuldade em como orientar corretamente os seus filhos. Ao mimá-los em excesso, é como se estivessem, figurativamente, cavando a cova para os filhos. Refiro isso porque no contexto de Timor, quando os pais compram aos filhos telemóveis e motas, por exemplo, sem que eles precisem se esforçar para os merecer, estão a fomentar a dependência. Essa atitude não ensina os filhos a enfrentarem os desafios e as competições naturais da vida. Acabam por pensar: tenho pais que me sustentam. Porém, os pais não estarão neste mundo para sempre e não havendo uma orientação assertiva para com os filhos, estes mais tarde podem vir a praticar atos que os prejudiquem e à restante a sociedade. Quando uma criança/jovem sem princípios educacionais que a estejamos sempre a defender, apesar de cometer erros, estamos na verdade a apoiá-la a aumentar o seu grau de criminalidade, como por exemplo: o filho rouba uma bicicleta, os pais ignoram, não querem quebrar a cabeça para ajudar a resolver a situação, e isso está a abrir precedentes para que um dia ele roube motorizadas, carros, ou até entre no mundo do crime organizado.
No local, onde habito, durante a noite pode-se constatar que alguns jovens não dormem, parecendo morcegos que vagueiam em todos cantos do bairro, utilizando palavrões como uma provocação aos vizinhos que se encontram a descansar. Para além disso, usam as motas que os pais lhes ofereceram, provavelmente para se movimentarem mais rapidamente, mas que infelizmente as utilizam, apenas, para perturbarem a ordem pública, mesmo que ainda não possuam as cartas de condução. Os menores andam de mota, mas ainda não têm a noção de perigo. Eles conduzem com muita velocidade sentindo-se uns heróis e não pensam nos desastres que lhes poderá tramar a sua vida e dos outros.
Dados estatísticos demonstram que a maior taxa de crimes elevados são praticados por jovens ainda crianças. Entre os delitos mais comuns estão o roubo, a violência entre jovens e atitudes de desrespeito pelos idosos.
No dia 21 de maio de 2024, uma jovem com a sua filha estava voltando para casa vindo de Culu-hun quando foram assaltadas por cinco jovens criminosos que lhes roubaram o telemóvel. A mãe e a filha tentaram persegui-los, para tentarem recuperar o telemóvel e para que pudessem ser incriminados. Contudo, essa perseguição acabou por ser bastante grave, pois a filha morreu no local do incidente e a mãe ficou em coma.
Tudo levaria a crer que os autores do crime fossem presos, logo que fossem identificados. Porém, a decisão final do Tribunal foi de libertar o principal autor. Ele foi libertado porque ainda não tinha atingido a idade máxima para ser preso.
Paralelamente existem também as seguintes questões: Será que esses jovens têm alguém que os oriente na sua educação? Será que elas são negligenciadas pelos próprios pais? Será que neste mundo, os pais se aproveitam da legislação, pois se tiverem condições para pagar aos melhores advogados possam ser desviados das suas responsabilidades?
É de referir que existem muitos casos de roubos de telemóveis, motorizadas, capacetes e outros objetos de valor, especialmente nas capitais de Timor-Leste, feitos por jovens/crianças.
Segundo a minha humilde opinião, a natureza do crime e carma, nunca deviam de ser exigidos aos culpados/criminosos de forma a responsabilizar os seus actos danosos.
Em quase todo o mundo existe uma cultura de respeito, que funciona como uma regra comum: Uma criança deve respeitar os mais velhos. Quando se comportar mal contra uma pessoa mais velha é obrigada a pedir desculpa de acordo com a culpa ou grau do erro praticado. Se o não fizer, ela será mal vista pela sociedade e até os pais são insultados e penalizados, uma vez que erraram na educação.
Uma situação, que nos envergonhou passou-se com uma rapariga/jovem que teve uma atitude pouco positiva, pois demonstrou ser uma menina demasiado disponível para um rapaz que vendia bolinhas de carne. Para que o vendedor/rapaz pudesse autorizá-la a comer as bolinhas de carne, a rapariga aproximou-se dele fazendo gestos de que queria beijá-lo, acariciá-lo, etc.
Paralelamente essa jovem, e segundo a cultura timorense, não se encontrava vestida com roupa adequada, pois notava-se o soutien e usava calções curtos.
Assim, e mediante o comportamento dela, devo referir que a rapariga não se está a dignificar a si própria, algo que é bastante negativo, pois as mulheres devem ser as primeiras a defender a sua posição na sociedade.
Na minha ótica o que leva as crianças a fazer algo que prejudica tanto as sociedades são: Primeiro, é a ignorância dos próprios encarregados da educação, pois quando os filhos fazem algo errado, não dão importância, nem têm intenções de resolver os problemas praticados. Segundo, a carência de comunicação entre os pais e os filhos em partilhar ideias benéficas para uma sociedade mais interessante. Terceiro, muitas crianças que cometem crimes, são filhos de pais separados ou incompletos. Quarto, no contexto timorense, os menores que têm pais divorciados, são mais vulneráveis a praticar crimes, talvez por carência do amor dos próprios pais. Quinto, os pais que vivem junto não compartilham as tarefas domésticas ou complementares, principalmente no controlo dos filhos.
Outro ponto é a falha da educação do sentido lato. Na educação formal, a carga horária é pouca, para que os professores possam ter tempo para desviar as atenções dos alunos a praticarem algo negativo nas sociedades, estando mais direccionada apenas para a parte académica.
O papel passivo das Autoridades Locais contribui, igualmente para o aumento da taxa criminal. São mínimas as intervenções das entidades relevantes face à atual situação que envolve os jovens menores no mundo do crime.
Dicas:
- Os filhos devem ser supervisionados, a que horas fazem as refeições, estudam, e fazem as tarefas domésticas.
- Quando estão livres, em que atividades é que os jovens podem participar para se ajudarem a si e à sociedade. (Uma metáfora que podemos usar é a de uma árvore: quando ela ainda é pequena, se ficar torta, deve ser endireitada; se esperarmos que cresça, será muito difícil de a corrigir). Esta comparação mostra que, desde cedo, os filhos precisam de receber orientações e correções. Se os pais ignorarem isto, no futuro os jovens poderão não escutar os mais velhos, e estas atitudes negativas acabam por se tornar habituais.
- Os menores que cometam crimes, devem ser supervisionados e colocados nos espaços apropriados, como em Centros de Reabilitação. Se praticam delitos e depois são libertados, podem pensar que as leis os protegem, e não se sentirem responsáveis, pelo que continuam a praticar as infrações.
- As crianças/jovens vêem o mundo de uma maneira diferente dos adultos. É preciso tomar as adequadas medidas das partes relevantes, pois as crianças/jovens contribuem bastante para o aumento da taxa da criminalidade.
Relativamente aos pais, as decisões tomadas devem ser analisadas e mensuradas, pois não é o facto de o filho pedir para comprar uma mota e/ou um telemóvel a preços elevados, que fazem com que os pais sejam amados pelos filhos.
Caso os pais acedam a todas as vontades dos filhos estarão a criar-lhes hábitos. Por exemplo, se um dia, os encarregados de educação morrerem ou ficarem desempregados, quem será o responsável para responder às necessidades dos filhos com este estilo de vida tão elevado? Ou será que os filhos/as poderão envolver-se nas redes criminosas para praticarem atividades ilícitas que não os dignifiquem?
Na minha experiência, enquanto pai, observo que os meus filhos choram quando não lhes fazemos as vontades. Assim, tento explicar-lhe o motivo da rejeição do seu pedido e embora eles continuem a chorar, sei que estou a fazer o mais correto para a sua educação.
Referências:
Tenho grande apreço pelos pais que tenho e estou verdadeiramente. Eles tinham condições para adquirir motas/bicicletas, mas não as compravam para que mais tarde lhes dessemos valor. Os meus pais pensavam que a vida não devia ser gozada demasiadamente sem fazer mensuração. Eles foram prudentes na tomada das decisões da minha educação. Assim, e segundo eles, quando compramos uma mota com o nosso próprio suor ficamos mais satisfeitos e felizes, dado que isso foi um processo duro e muito responsável.
É de louvar, que desde o anoitecer até de madrugada existam crianças/jovens que fiquem nas ruas à espera dos autocarros para venderem as maçãs, as tangerinas, os pães, as águas e outras necessidades para os passageiros que viajam de autocarro. Elas estão a preparar-se para encarar os desafios, que mais tarde possam surgir. A título de exemplo, mesmo que os veículos não parem, as crianças/jovens saltam e entram nos autocarros para venderem os produtos. Algumas crianças/jovens nos mercados, mesmo que sejam menores de idade, já sabem como ganhar dinheiro para responder às suas necessidades e às familiares, em vez de cometerem atos prejudiciais.
Estes vendedores são considerados heróis timorenses, uma vez que trabalham com o seu próprio suor, sem se lamentarem, o que provavelmente lhes virá trazer sucesso no seu futuro.
Especificamente, e em particular, nos dias de hoje, podemos observar que alguns patrões com êxito, conseguiram-no trabalhando arduamente, sendo que a maior parte deles são negociantes de grande sucesso.
Um membro do Conselho de Suco publicou na rede social Facebook, um aviso para que os pais incentivassem os seus filhos a estudar e que não desperdiçassem o seu tempo a desenvolver vários tipos de crime. Segundo a minha opinião, este é um excelente exemplo para que os outros bairros possam imitar.
Elogio e agradeço, ao Chefe de Suco de Bebonuk, pois castiga quando os cidadãos dele não cumprem as regras estabelecidas, principalmente aos jovens que cometam atos criminais. Este é um líder que tem um espírito patriótico, e que se preocupa com o bom desenvolvimento do país. Antigamente, o suco atrás referido era conhecido pela insegurança durante a noite. Porém, agora mediante algumas regras impostas, nota-se uma significativa mudança no aspecto do desenvolvimento e da segurança da sociedade.
Por último, posso referir que nos arredores de Díli, conheci uma família rica, em que nada faltava aos filhos, incluindo bicicletas. Por sua vez, esta família acolhia sobrinhos que vinham das montanhas para procurar melhorar a vida, pois em Díli podiam estudar nas melhoras escolas do país. Contudo, este casal aos filhos só lhes pedia para estudarem e ficarem de mãos cruzadas. Sendo que, aos sobrinhos, além dos estudos, era-lhes exigido que fizessem as tarefas domésticas. Curioso é que os próprios filhos do casal davam ordens aos primos.
Hoje, observo que os sobrinhos tiveram sucesso profissional, um é engenheiro, outra é docente e outro trabalho no estrangeiro onde usufrui de um excelente salário.
Relativamente aos filhos do casal vivem sem rumo e harmonia familiar, dependendo de heranças, após o falecimento dos pais.
Formador de Língua Portuguesa, Tradutor e Revisor Linguístico.
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