DÍLI, 6 de dezembro de 2025 (TATOLI) – O Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reuniu-se, ontem (5/12) em sessão extraordinária, e condenou “veementemente” a interrupção do processo eleitoral na Guiné-Bissau, na sequência do golpe de Estado ocorrido no dia 26 de novembro.
Segundo um comunicado da organização a que a Tatoli teve hoje acesso, o Conselho de Ministros da CPLP, presidido pela Ministra dos Negócios Estrangeiros de São Tomé e Príncipe, Ilza Amado Vaz, expressa “profunda preocupação” com a situação política e institucional na Guiné-Bissau e rejeita a rutura institucional que “compromete a estabilidade política e a ordem constitucional”.
A organização exige ainda a “libertação imediata e incondicional de todas as pessoas detidas no contexto da atual crise política” e defende a retoma urgente da ordem constitucional como condição para a paz e o desenvolvimento do país.
Entre as decisões aprovadas, a CPLP anunciou a constituição de uma “Missão de Bons Ofícios de Alto Nível” que será enviada à Guiné-Bissau a mais rapidamente possível. Foi também proposta a transferência da presidência “pro tempore” da organização para outro Estado-Membro.
No documento é referido ainda o compromisso da CPLP com os valores da democracia, da legalidade e da solidariedade entre Estados-Membros, bem como a solidariedade fraterna com o povo guineense.
A sessão contou com a participação dos Ministros dos Negócios Estrangeiros de Angola, do Brasil, de Cabo Verde, da Guiné Equatorial, de Moçambique, de Portugal e de Timor-Leste, bem como da Secretária-Executiva da CPLP e dos representantes permanentes junto da organização.
É de lembrar que a atual crise na Guiné-Bissau decorre de um processo eleitoral marcado por confrontos e irregularidades. As eleições gerais decorreram a 23 de novembro deste ano, mas foram interrompidas por incidentes: responsáveis da comissão eleitoral declararam que não era possível concluir o processo depois de homens armados terem atacado e apreendido material eleitoral e registos, numa ação que prejudicou a contagem e a divulgação dos resultados. No dia 26 de novembro, oficiais do exército tomaram o poder, intensificando a crise institucional.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




