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Governo pretende incluir tema de Violência de Género no currículo do ensino superior

Governo pretende incluir tema de Violência de Género no currículo do ensino superior

Imagem ilustrativa. Foto:DR

DÍLI, 1 de dezembro de 2025 (TATOLI) – A Secretaria de Estado da Igualdade e o Ministério do Ensino Superior, Ciência e Cultura, em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em Timor-Leste, realizaram esta segunda-feira um seminário nacional sobre uma possível integração no currículo do ensino superior conteúdos sobre prevenção e resposta à Violência Baseada no Género (VBG).

O Ministro da tutela, José Jerónimo, afirmou que a iniciativa visa identificar formas de ensinar o tema nas instituições de ensino superior, de modo a consciencializar estudantes e a comunidade académica sobre todas as formas de violência, nomeadamente a de género, bem como sobre os mecanismos de prevenção e de apoio às vítimas, incluindo a denúncia às autoridades competentes.

O governante explicou que o seminário surgiu na sequência do aumento de casos de assédio sexual registados recentemente em várias instituições de ensino superior. “A nossa sociedade atual, como se constatou nos discursos de hoje, não dá a devida importância ao respeito pelas mulheres, especialmente no campus universitário. Por isso, a minha mensagem aos estudantes é que, se presenciarem situações deste tipo, sejam corajosos e informem os professores ou líderes académicos, para que possamos tratar deste assunto com seriedade”, destacou.

Na mesma linha, a Secretária de Estado da Igualdade, Elvina de Sousa Carvalho, considerou alarmante a situação de assédio no espaço universitário. “Como sabemos, o assédio não ocorre apenas numa universidade, mas em duas ou três”, afirmou.

Por sua vez, a adjunta da Representante da UNFPA em Timor-Leste, Domingas Bernardo, destacou que a VBG afeta a saúde mental, sexual e reprodutiva das vítimas. Explicou que casos de violência sexual podem provocar lesões genitais, hemorragias, dor crónica, bem como aumentar o risco de infeções sexualmente transmissíveis, incluindo o VIH/SIDA. A violência pode ainda resultar em gravidezes indesejadas.

“A Violência Baseada no Género continua a ser a violação de direitos humanos mais comum. Globalmente, uma em cada três mulheres já sofreu violência física ou sexual. Em Timor-Leste, 38% das mulheres com parceiros relatam violência por parte do parceiro íntimo. As causas fundamentais da VBG são complexas e estão relacionadas, estando frequentemente ligadas a fatores sociais, culturais, económicos e políticos”, afirmou.

A responsável reforçou que a prevenção e resposta à VBG são responsabilidades partilhadas que exigem o empenho de todos os setores e de toda a sociedade. “O principal objetivo da prevenção é enfrentar as causas estruturais da violência, como a desigualdade de género e normas sociais inadequadas. Através da educação e da transformação cultural, as universidades desempenham um papel fundamental na prevenção e no combate à VBG, podendo criar um ambiente seguro, inclusivo e respeitoso para todos os estudantes, especialmente para as mulheres”, acrescentou.

Já a Diretora Nacional de Saúde Materno-Infantil, Madalena Gomes, informou que apenas em Díli o Ministério da Saúde registou cerca de 400 casos de VBG ao longo de 2025.

Notícia relevante: Ciências forenses na sintomatologia de violência de género envolvem 15 profissionais de saúde

Jornalista: Ivonia da Silva

Editora: Isaura Lemos de Deus

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