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Governo vai lançar projetos de abastecimento de água em Lautém e Manufahi

O Presidente do Conselho de Administração da BTL, Gustavo da Cruz. Foto da Tatoli

DÍLI, 17 de outubro de 2025 (TATOLI) — O Governo vai lançar, no próximo mês, os projetos de construção de infraestruturas para o abastecimento de água em Lautém e Manufahi, revelou o Presidente do Conselho de Administração da Bee Timor-Leste (BTL), Gustavo da Cruz.

O projeto é financiado por um empréstimo concedido pelo Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD), no valor de 32 milhões de dólares americanos.

“São alocados 15 milhões para Manufahi e 17 milhões para Lautém. Pretendemos implementar igualmente, no próximo ano, o projeto em Díli”, referiu o dirigente à Tatoli, acrescentando que, na capital, o estudo de Desenho de Engenharia Detalhado (DED) já está concluído e o Governo procura financiamento para a sua execução. As principais fontes de água em Díli são provenientes de Maloa, Benamauk e Lahane.

O dirigente frisou que os projetos em Lautém e Manufahi incluem um sistema de tratamento de água avançado, que permitirá aos cidadãos obter água potável diretamente das torneiras, graças a um sistema de controlo automatizado designado Sistema de Controlo, de Supervisão e Aquisição de Dados (SCADA, em inglês).

Este sistema é uma tecnologia integrada de supervisão e controlo que permite monitorizar e gerir todo o processo operacional das redes de água — desde as fontes e o tratamento até à distribuição de água potável ou não potável. O sistema utiliza sensores, computadores e software para recolher dados, como a turbidez da água, e enviar comandos de controlo aos equipamentos no terreno. O principal objetivo é aumentar a eficiência, garantir a qualidade da água e simplificar a gestão operacional dos sistemas de abastecimento e distribuição.

“Com o sistema SCADA, é possível abrir e fechar o fornecimento de água de forma automatizada, através do sistema de controlo. A implementação começará nas capitais municipais e na capital do país”, acrescentou.

Gustavo da Cruz explicou ainda que a escolha das duas capitais municipais se deveu à disponibilidade dos estudos de DED já concluídos.

“No início, preparámos os estudos DED para os municípios de Baucau, Lautém, Viqueque, Manufahi e Díli. O financiamento viria do BAD e do Banco Mundial, mas, infelizmente, o Banco Mundial cancelou o apoio, ficando o projeto a cargo do BAD”, sublinhou.

O dirigente explicou que os projetos de Baucau e Viqueque foram cancelados devido à escassez de recursos hídricos. O Executivo anterior já tinha investido, mas o atual Governo considerou necessário realizar novos estudos mais aprofundados sobre os recursos de água, tendo iniciado este ano novas atividades de captação em Baucau e Viqueque para reavaliar a disponibilidade de água.

“Avançámos, por isso, primeiro com Same e Lospalos, onde há recursos hídricos suficientes. Em Lospalos, a água será captada da nascente de Pa-papa, com fontes de reserva subterrâneas em Sawarika e Home, para reforçar o sistema de Pa-papa. Em Same, a água será captada de três ribeiras — Merbuti, Kotalala e Darleu — que são as principais fontes, complementadas por captações subterrâneas”, referiu.

De acordo com o responsável, o Conselho Nacional de Aprovisionamento vai lançar em breve o concurso público para selecionar as empresas que ficarão responsáveis pelos estudos de DED para os municípios de Aileu, Liquiçá, Ermera, Ainaro, Covalima e Bobonaro.

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Jornalista: Ivonia da Silva

Editora: Isaura Lemos de Deus

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