DÍLI, 14 de outubro de 2025 (TATOLI) – A Primeira Comissão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), responsável pelas questões de desarmamento e segurança internacional, reuniu-se, na segunda-feira, com os Estados-Membros para debater medidas que promovam a paz e a prevenção de conflitos armados, incluindo o controlo de armamento convencional e nuclear, a proibição de armas químicas e biológicas e o fortalecimento da segurança global.
O Representante da Missão Permanente de Timor-Leste junto da ONU, Dionísio Babo, reafirmou o compromisso do país com a paz e a segurança internacionais, defendendo que “a verdadeira paz vai além da ausência de guerra” e deve assentar na justiça, na cooperação e no respeito pelo direito internacional.
“Timor-Leste reiterou o seu apoio ao Tratado de Proibição Completa dos Ensaios Nucleares [CTBT, sigla em inglês] e apelou aos Estados do Anexo 2 que ainda não o ratificaram para que o façam, alertando que as armas nucleares representam uma ameaça inaceitável para a humanidade e para a segurança global”, afirmou o diplomata num comunicado a que a Tatoli teve hoje acesso.
Dionísio Babo defendeu igualmente que os Estados detentores de armas nucleares devem cumprir as suas obrigações ao abrigo do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e manifestou apoio à criação de um instrumento juridicamente vinculativo sobre garantias de segurança.
“Timor-Leste apoiou os esforços para o estabelecimento de uma zona livre de armas nucleares e de destruição em massa no Médio Oriente, destacando a importância de medidas regionais de confiança, como a transparência nos gastos militares e o controlo de armamento, para evitar a escalada de tensões”, frisou.
No contexto da região Ásia-Pacífico, segundo Dionísio Babo, Timor-Leste reafirmou o seu apoio ao Tratado da Zona Livre de Armas Nucleares do Sudeste Asiático (Tratado de Banguecoque) e apelou às potências nucleares para que ratifiquem o seu Protocolo sem reservas.
O Embaixador sublinhou ainda a importância da transparência nas transferências de armas através do Registo das Nações Unidas de Armas Convencionais, e elogiou a cooperação entre as Nações Unidas e a Organização para a Proibição de Armas Químicas, defendendo a adesão universal à Convenção sobre Armas Químicas.
Timor-Leste expressou também profunda preocupação com o comércio ilícito de armas ligeiras e de pequeno calibre, apontando que o fenómeno alimenta a instabilidade e prejudica o desenvolvimento. Nesse sentido, apelou a um reforço da cooperação internacional em matéria de segurança fronteiriça, recolha de dados e integração das medidas de controlo de armamento nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 16, dedicado à paz e instituições eficazes.
O país alertou igualmente para os desafios colocados pelas novas tecnologias emergentes, como a Inteligência Artificial e as armas autónomas, pedindo a criação de normas globais que assegurem o controlo humano, a responsabilização e o uso ético destas tecnologias.
Por fim, Timor-Leste sublinhou que a verificação e a transparência são pilares essenciais para um desarmamento eficaz e apoiou medidas destinadas a impedir que atores não estatais adquiram armas de destruição em massa, incluindo a implementação integral da Resolução 1540 do Conselho de Segurança da ONU.
Dionísio Babo encerrou a declaração com um apelo à unidade global, salientando que o desarmamento é “um imperativo legal e ético, essencial para a sobrevivência da humanidade e para a construção de um mundo pacífico para as gerações futuras”.
Notícia relevante: Timor-Leste reforça compromisso com a Agenda Mulheres, Paz e Segurança na ONU
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




