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Ramos-Horta: a mudança climática e comunitária é um jogo de longo prazo

Ramos-Horta: a mudança climática e comunitária é um jogo de longo prazo

O Presidente da República, José Ramos-Horta, discursou na 12.ª Cimeira da Australásia para a Redução de Emissões, organizada pelo Carbon Market Institute, em Melbourne. Foto do GPR

DÍLI, 14 de agosto de 2025 (TATOLI) – O Presidente da República (PR), José Ramos-Horta, considera Timor-Leste uma nação proativa no desenvolvimento de soluções concretas para combater as alterações climáticas.

A afirmação foi feita durante o seu discurso na 12.ª Cimeira da Australásia para a Redução de Emissões, organizada pelo Carbon Market Institute, em Melbourne, perante Chefes de Estado, líderes políticos e especialistas naquela área.

“Não estamos aqui para dizer que somos vítimas, mas para demonstrar que mesmo a nação mais pequena pode contribuir de forma significativa para a ação climática global”, disse Ramos-Horta num comunicado a que a Tatoli teve acesso.

O PR destacou o papel do programa de reflorestação WithOneSeed, implementado desde 2010 no posto administrativo de Baguia, no município de Baucau, que permitiu a plantação de mais de 800 mil árvores, capturando mais de 200 mil toneladas de dióxido de carbono. Todas as árvores estão registadas individualmente na plataforma digital TreeO2, garantindo transparência e integridade.

A iniciativa, que tem foco na educação sobre alterações climáticas e é apoiada pela Xpand Foundation, uma organização sem fins lucrativos da Austrália, envolve comunidades agrícolas de subsistência para gerar rendimento através da reflorestação comunitária, desenvolvendo economias locais, reforçando a educação e a formação e promovendo a participação social e económica.

Segundo a mesma fonte, o projeto, avaliado com a nota AA, classificação atribuída pela agência BeZero para projetos de baixo risco para o ambiente, colocando-o entre os 2% melhores projetos de carbono a nível mundial, assegura rendimentos anuais previsíveis aos agricultores.

Inspirado pelo êxito em Baguia, Ramos-Horta anunciou a criação da Fundação Rai Matak, com o objetivo de alargar o modelo a todo o território, ambicionando plantar dez milhões de árvores e envolver 20 mil famílias agricultoras.

O PR agradeceu o apoio inicial da União Europeia, que permitiu expandir viveiros, formar comunidades e reforçar o sistema de monitorização. Contudo, alertou que “a mudança climática e comunitária é um jogo de longo prazo” e que o financiamento deve acompanhar o tempo de crescimento das árvores.

“Cada árvore plantada em Timor-Leste leva ao mundo a mensagem de que pequenas nações, pequenas comunidades e até a menor das sementes podem crescer e tornarem-se algo poderoso”, concluiu Ramos-Horta, apelando à cooperação de Governos, empresas e cidadãos para dar escala ao projeto e assegurar um futuro sustentável para as próximas gerações.

Notícia relacionada: PR condecora indivíduos, associações e grupos de amizade australianos pelo contributo a Timor-Leste

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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