DÍLI, 03 de julho de 2025 (TATOLI) – O Presidente da República, José Ramos Horta, considera que a oposição de Myanmar à adesão de Timor-Leste à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) é “irrelevante” e não terá qualquer impacto no processo da integração do país no organismo.
Recorde-se que o Governo de Myanmar informou oficialmente, ontem, que se opõe à decisão tomada na cimeira da ASEAN, cuja presidente rotativa é liderada pela Malásia, de admitir Timor-Leste como membro da organização.
De acordo com o órgão de comunicação tailandesa Thai PBS World, o Executivo de Myanmar alega que Timor-Leste violou o princípio da não interferência nos assuntos internos dos Estados-membros, um dos pilares da Carta da ASEAN.
A posição foi transmitida numa carta assinada pelo representante de Myanmar na Reunião de Altos Funcionários da ASEAN, Han Win Aung, na qual se pede a Timor-Leste que “se abstenha de manter contactos com entidades que se opõem ou estejam em conflito com os Estados-membros da ASEAN”, numa referência direta ao Governo de Unidade Nacional (NUG) e às forças de resistência que combatem o regime militar birmanês. A carta alerta ainda que, caso Timor-Leste mantenha essa postura, “deverá ser firmemente rejeitada qualquer consideração quanto à sua adesão à ASEAN”.
Para Ramos Horta, “a posição de Myanmar não tem qualquer significado, uma vez que a decisão sobre a adesão do país foi tomada em cimeira pelos Estados-Membros da ASEAN em Kuala Lumpur, Malásia, e nenhuma outra instância pode alterar esta decisão”.
O Chefe de Estado lembrou que Myanmar se encontra suspenso da participação a nível de cimeira e ministerial desde o golpe de Estado de 01 de fevereiro de 2021, como sanção aplicada pela própria ASEAN.
“Neste momento, estamos a preparar o evento de boas-vindas que ocorrerá em outubro, em Kuala Lumpur. Se algum país não participar, isso é problema seu”, afirmou Horta à margem de um encontro com jornalistas, no Palácio Presidencial, em Díli.
O PR reforçou ainda que a declaração da junta militar “é irrelevante e sem consequência”, e acrescentou que “a decisão tomada pelos Chefes de Estado da ASEAN na Malásia é legítima e tem força vinculativa”.
Recorde-se que, na Cimeira, em maio, os líderes da ASEAN acordaram em admitir Timor-Leste como 11.º membro da organização, com a formalização da adesão agendada para a Cimeira de outubro. No entanto, Myanmar solicitou a suspensão dos procedimentos, exigindo que Timor-Leste reveja a sua política em relação à situação interna daquele país.
A mesma fonte relata que, em maio, o Primeiro-Ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, manteve uma videoconferência com líderes do NUG, incluindo o Primeiro-Ministro, Mahn Winn Khaing Thann, depois de se ter reunido com o líder da junta militar, general Min Aung Hlaing, em Banguecoque.
A próxima Reunião Ministerial da ASEAN, agendada para os dias 09 e 11 de julho, será um momento decisivo para a presidência malaia, que terá de conciliar a integração de Timor-Leste com a oposição expressa por Myanmar.
Notícia relevante: Da Previsão Otimista do PIB à Redução das Assimetrias face aos Países da ASEAN
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




