Formalizado acordo para combater má nutrição e promover inclusão social

DÍLI, 24 de junho de 2025 (TATOLI) – A União Europeia (UE), em parceria com o Governo, com agências das Nações Unidas e organizações da sociedade civil, assinou hoje um acordo no valor de 12 milhões de euros, o equivalente a 13 milhões de dólares americanos para implementar um programa para combater a má nutrição e promover a inclusão social em Timor-Leste.
O acordo foi assinado pelo Embaixador da UE em Timor-Leste, Marc Fiedrich, e por representantes das organizações responsáveis pela implementação do projeto: o Programa Alimentar Mundial (PAM), o Fundo das Nações Unidas para a Infância, a Organização Internacional do Trabalho, a Cruz Vermelha de Timor-Leste e a CARE International. A cerimónia contou com a presença do Vice-Primeiro-Ministro e Ministro Coordenador dos Assuntos Sociais, Mariano Assanami Sabino.
A iniciativa visa beneficiar cerca de 150 mil pessoas em Díli, Aileu, Ainaro, Covalima, Ermera, Lautém, Liquiçá e Viqueque, com foco especial em grávidas, lactantes, crianças com menos de cinco anos e alunos em idade escolar. O programa proporcionará um melhor acesso a alimentos nutritivos, a cuidados de saúde de qualidade e a serviços de proteção social, alinhando-se com as estratégias nacionais nas áreas da nutrição e inclusão.
Intervindo no evento, Marc Friedrich afirmou que as causas da subnutrição materna e infantil no país são multidimensionais, incluindo a fraca diversidade alimentar, o acesso limitado a alimentos de qualidade e a elevada incidência de doenças.
O diplomata referiu que a UE continuará a trabalhar em prol de combater a pobreza, de desenvolver a educação e os recursos humanos. “É fundamental utilizarmos todos os recursos disponíveis de forma eficaz e trabalharmos em conjunto para maximizar o impacto e evitar duplicações. As estratégias e os planos são essenciais, mas devem traduzir-se em ações concretas no terreno”, sublinhou Marc Fiedrich, no salão do hotel JL World, em Díli.
O Embaixador considera que, apesar de alguns avanços registados pelo Governo, o país continua a enfrentar desafios persistentes, como altas taxas de pobreza, subnutrição entre mulheres e crianças e acesso limitado a serviços de saúde e proteção social, especialmente nas zonas rurais.
Marc Fiedrich acrescentou que o novo acordo marca um passo importante no compromisso conjunto da UE e dos seus parceiros para construir um país mais saudável e inclusivo.
Por sua vez, Mariano Assanami Sabino disse que o acordo agora assinado “toca a base do desenvolvimento humano: a necessidade de reforçar a proteção social e a nutrição em Timor-Leste”.
O governante defendeu que a proteção social e a nutrição não devem ser tratadas de forma isolada, pois são áreas interligadas e fundamentais para o desenvolvimento do capital humano e da resiliência nacional. Mariano Assanami Sabino acrescentou que investir na nutrição e na proteção social não é um custo, mas sim um investimento no futuro.
A Representante do PAM no país, Jacqueline de Groot, por sua vez, destacou que a colaboração estabelecida vai além da nutrição escolar, integrando-a na educação, na agricultura e na proteção social.
“Associar a alimentação escolar à produção alimentar local permite melhorar a dieta, combater a desnutrição e fortalecer as comunidades. Esta parceria reforça a ação coletiva em prol de sistemas mais fortes e resilientes, especialmente a mulheres e crianças”, afirmou.
A dirigente recordou que a desnutrição infantil continua a ser um dos maiores desafios do país. Segundo um inquérito realizado em 2020 pela UNICEF e pelo Ministério da Saúde, com apoio da UE, 47,1% das crianças timorenses com menos de cinco anos apresentavam um atraso de crescimento, enquanto 27% da população enfrentava insegurança alimentar aguda.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus

