Timorense na Coreia do Sul ambiciona voltar e investir em suinocultura

DÍLI, 06 de maio de 2025 (TATOLI) – Soares Babo Albino, natural de Ermera, encontra-se, atualmente, a trabalhar na Coreia do Sul, num fabricante de automóveis, ao abrigo de um projeto de cooperação entre os Governos timorense e sul-coreano.
Em 2015, frequentou uma formação em língua coreana facultada pela Secretaria de Estado da Formação Profissional e Emprego, que decorreu em Becora, Díli. Segundo Soares, só à segunda tentativa é que conseguiu cumprir os requisitos mínimos e ser selecionado, juntamente como outros timorenses, para ir trabalhar para a Coreia do Sul, em 2018.
Soares contou que, antes de pensar em emigrar, chegou a ingressar no Colégio de Fatumaca, em Baucau, por considerar que tinha vocação sacerdotal, contudo, por motivos financeiros, teve de abandonar os estudos. Chegou a trabalhar no Hotel Timor e a ser professor voluntário.
“Trabalhar na Coreia do Sul não é fácil, temos turnos noturnos e diurnos e os empregadores são muito exigentes”, disse Soares.
Com o dinheiro que ganha naquele país, o jovem ajuda a pagar os estudos de quatro dos seus 13 irmãos que estão, atualmente, na universidade. “Antes de vir cá, defini metas como construir casa, abrir um negócio e ajudar financeiramente os meus irmãos”, disse.
Além do salário que recebe, o jovem explicou que tem um rendimento extra, porque construiu uma casa em Manleuana e arrendou-a.
“Quando o meu contrato terminar e voltar para Timor-Leste, pretendo investir num negócio ligado à suinicultura e criar postos de trabalho para os meus conterrâneos”, referiu o jovem.
Na Coreia do Sul, além de trabalhar numa fábrica de automóveis, Soares está a melhorar o seu nível de proficiência de coreano, frequentando um curso online ministrado por uma instituição de ensino superior. “É muito difícil gerir o meu tempo, além disso tenho dificuldades em me adaptar ao clima, porque na Coreia do Sul há quatro estações: primavera, verão, outono e inverno”, referiu.
Soares é um dos cerca de seis mil timorenses que emigraram para a Coreia do Sul por falta de oportunidades de trabalho no país que os viu nascer. Segundo os dados da Secretaria de Estado da Formação Profissional e Emprego, no ano passado, os timorenses naquele país transferiram mais de 44 milhões de dólares americanos para Timor-Leste.
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Jornalista: Jesuína Xavier
Editora: Isaura Lemos de Deus

