DÍLI, 30 de abril de 2025 (TATOLI) – A propósito do Dia Mundial do Trabalhador, celebrado anualmente a 01 de maio, vêm de vários setores económicos os pedidos de aumento do salário mínimo, há muito tempo estagnado nos 115 dólares mensais. A reivindicação de aumento daquela prestação é exigida para fazer face ao custo de vida que custa mais a uns trabalhadores do que outros: quem ganha o salário mínimo sente diretamente a subida dos preços na compra de bens essenciais, especialmente os de primeira necessidade sendo, neste caso, o preço do arroz um bom indicador do incremento dos preços nos últimos anos.
Atualmente, o tema adquiriu maior dimensão já que está em cima da mesa uma proposta de lei relativa ao aumento do salário mínimo de 115 para 150 dólares americanos. Exige-se celeridade na aprovação desta proposta para seguir o itinerário político que conduzirá à sua aprovação: o Conselho de Ministros e a submissão ao Parlamento. “Tão breve quanto possível”, afirmam trabalhadores ouvidos pela Tatoli.
Em Timor-Leste, trabalhadores do setor privado são os que mais padecem pela estagnação do montante do salário mínimo já que os mecanismos de mobilidade ascendente laboral são mais lentos em comparação com a administração pública, cujos mecanismos de promoção estão relativamente regulados.
Neste contexto, a Tatoli foi ouvir a voz de trabalhadores do setor privado, especialmente os do setor terciário, visando auscultar as suas reclamações e reivindicações.
César Moniz, trabalhador num estabelecimento comercial em Audian, afirma viver num quarto alugado, em Caicoli, Díli, pelo qual paga 50 dólares mensais. O empregado destacou a necessidade de o Executivo aprovar a lei em apreço para que possa aumentar o rendimento de trabalhadores.
“Ganho, mensalmente, cento e quinze dólares, mas são insuficientes para sustentar a minha família. Tenho de trabalhar também aos fins de semana, pelo que não tenho dias de folga. Recebo, no entanto, apenas dez dólares aos domingos”, frisou.
O jovem recordou que, às vezes, tem de pedir adiantamentos do salário ao seu patrão devido ao elevado custo das despesas familiares e ao pagamento da renda da casa.
Também Amélia Gusmão, trabalhadora numa loja chinesa em Quintal Bo’ot, referiu a importância de o Executivo criar condições para garantir os direitos dos trabalhadores “tão breve quanto possível”.
“O custo de vida em Díli é insuportável, ainda mais com o salário mínimo de cento e quinze dólares não dá para sustentar a família. Não temos férias, somos obrigadas a trabalhar todos os dias, mas graças a Deus, recebo o pagamento extra de dez dólares”, concluiu.
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Jornalista: Ivonia da Silva
Editora: Isaura Lemos de Deus




