DÍLI, 23 de novembro de 2023 (TATOLI) – Está a decorrer, entre 23 e 25 deste mês, no Pavilhão Multifunções do Grupo Media Nacional (GMN), em Díli, o Fórum Internacional de Negócios 2023. Num discurso no evento, o Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, afirmou ser um facto que os timorenses vivem num “mundo em mudança” e a capacidade de adaptação, inovação e força de trabalho jovem são fatores-chave para o desenvolvimento.
“Em Timor-Leste, uma das nossas principais riquezas é a força da juventude da nossa nação e, inerentemente, a nossa capacidade de adaptação. Temos jovens com capacidade para aprender novas línguas, novas habilidades, novas competências e novas tecnologias. Jovens que estão ansiosos por abraçar oportunidades de desenvolvimento para se transformarem a si mesmos e para transformarem o país”, destacou o Chefe do Governo, em Díli.
Xanana Gusmão adiantou que as empresas locais e investidores internacionais “têm de se adaptar a estas mudanças, e têm de criar modelos de negócios modernos e inovadores, sendo os jovens os mais capazes de alimentar esta mudança”.
O Chefe do Executivo referiu ser necessário os jovens tomarem a iniciativa para que o Governo possa apoiar as empresas locais a arrancar e a crescer, como está previsto na Política Nacional da Indústria que está atualmente a ser preparada pelo Governo.
Xanana Gusmão, na sua intervenção, destaca a importância de investir em jovens, de promover a cooperação e explorar oportunidades, desenvolver infraestruturas e reforçar o capital social das empresas. No investimento nos jovens, o Chefe do Governo reconheceu que Timor-Leste, sendo um país jovem, enfrenta problemas, nomeadamente “fragilidades ao nível das instituições, das infraestruturas e dos recursos humanos, bem como do acesso ao conhecimento e à tecnologia”.
Promover a cooperação e explorar oportunidades
Xanana Gusmão explicou que por outro lado, “temos também laços profundos que nos unem a países dos vários pontos do globo, com os jovens timorenses a adaptarem-se culturalmente, e até linguisticamente, a vários mundos. Isto não representa só uma vantagem, mas uma oportunidade para abraçar todo o potencial inovativo de economias desenvolvidas ou emergentes dispersas pelo mundo. Podemos não dominar a inovação, mas chegamos facilmente a ela, se nos predispusermos a isso”.
Para o Chefe do Governo, o valor da cooperação não deve, portanto, ser subestimado, sublinhando que a cooperação deve ser encorajar todos os empresários timorenses e torná-los capazes de capitalizar a cooperação interna e as parcerias estratégicas com empresários internacionais, transferindo conhecimento, tecnologia e capital estrangeiro para o país.
O Primeiro-Ministro frisou que os empresários timorenses devem “tentar sair da sua zona de conforto” e devem tentar não somente sobreviver, não procurando exclusivamente no governo o apoio de que necessitam, ou o financiamento para as suas ambições, e soluções para as suas dificuldades mas, sim, “encontrar, pelos seus próprios meios, uma solução favorável ao seu negócio e avançar, procurando por si próprios a cooperação de que necessitam”.
Desenvolver infraestruturas
O Primeiro-Ministro adiantou ainda que o Governo está a trabalhar para desenvolver infraestruturas básicas e acesso aos mercados, no sentido de reformar os sistemas de administração pública e da gestão das finanças e de financiamento ao setor privado. “E está, do ponto de vista diplomático, a desenvolver todos os esforços para estabelecer quadros de cooperação que também contribuam para a partilha de experiências, melhores práticas e expertise em todos os setores de desenvolvimento”.
“Diversificar a economia é uma das principais metas a atingir por este Governo, sendo necessário criar as condições fiscais e burocráticas que permitam uma maior predisposição ao investidor nacional e internacional para apostar em Timor-Leste”, frisou.
Desenvolver o capital social
Segundo o Chefe do Executivo, por outro lado, todas as políticas transversais que incluem o desenvolvimento do capital social e económico, do desenvolvimento de infraestruturas e do desenvolvimento do setor de governação, são inseparáveis para impulsionar o desenvolvimento económico e criar condições para o empreendedorismo.
“As prioridades do Governo são claras. Queremos diversificar a economia através do desenvolvimento dos setores produtivos (agricultura, silvicultura, pecuária, pesca, turismo, petróleo e minerais e indústria manufatureira), e queremos promover o investimento do setor privado, que conduza também à substituição de produtos que podem ser produzidos localmente”, destacou.
Xanana considerou que um mercado financeiro abrangente e transparente facilita o investimento nos setores estratégicos e impulsiona o crescimento económico no âmbito de uma economia não petrolífera sustentável e diversificada. Adiantou que o Governo, em parcerizou-se com o Banco Central de Timor-Leste, visando promover o desenvolvimento do setor financeiro, através da criação de um ambiente favorável que agilize as atividades comerciais daquele setor, das instituições de seguros, das instituições de microcrédito e do mercado financeiro no país
Xanana apresentou ainda as possibilidades necessárias para desenvolver o setor privado nacional e o Governo está a atuar na “na estabilidade política e económica; na reforma do quadro jurídico que ofereça segurança aos investidores, em termos de garantir os direitos de propriedade, aplicação de contratos e solução de disputas comerciais, bem como na construção de um quadro regulatório que favoreça a atividade comercial”.
O Secretário-Geral da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Kao Kim Hourn, por sua vez, afirmou por vídeo conferência que Timor-Leste é um país com potencial para investir no setor da agricultura e do turismo, uma vez que são vitais para apoiar as atividades empresariais no país, de modo a poder desenvolver-se em nível regional e internacional.
“Timor-Leste continua a enfrentar o problema das infraestruturas públicas como a principal razão pela qual a economia não se desenvolve, mas o país deve adotar duas estratégias principais para a diversificação económica, especialmente nos setores da agricultura e do turismo”, referiu.
Para Kao Kim Horn, a agricultura é o principal setor para responder ao problema da insegurança alimentar que se vive a nível mundial e contribuir para o crescimento económico de Timor-Leste. O dirigente acrescentou ainda que Timor-Leste precisa de apostar no esforço de diversificação agrícola e de melhorar a qualidade dos equipamentos, visando garantir um desenvolvimento económico direcionado para a sustentabilidade, bem como investir no setor do turismo para promover a diversificação económica.
Notícia relevante: Promover turismo e economia timorenses é meta do ‘Fórum Internacional de Negócios 2023’
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




