DÍLI, 21 de novembro de 2023 (TATOLI) – Timor-Leste e a operadora australiana Woodside Energy concordaram em manter discussões sobre a realização do estudo de seleção de conceitos relativo à forma da exploração do campo petrolífero Greater Sunrise. A afirmação foi feita pelo Ministro do Petróleo e dos Recursos Minerais (MPRM), Francisco Monteiro, à margem de uma reunião com a Diretora-Executiva da Woodside, Meg O’Neill, ontem, em Díli.
“Concordamos em efetuar um estudo de seleção do conceito do Greater Sunrise para que todos os documentos sejam colocados em cima da mesa, a fim de se proceder a uma boa avaliação de todas as vantagens e desvantagens que serão resultantes do projeto de exploração”, afirmou o governante.
Francisco Monteiro salientou ainda que a reunião materializou-se num debate produtivo e construtivo, pois Meg O’Neill introduziu um novo espírito e novas ideias relativamente ao desenvolvimento do campo petrolífero, uma vez que a Woodside, em representação da parceria, irá considerar as vantagens e desvantagens do estudo de seleção do conceito existente para o Greater Sunrise, pelo fato de desde o início Timor-Leste ter mantido a sua posição de que o gasoduto deve ser desenvolvido no seu território para proporcionar benefícios ao país e ao povo.
O ministro da tutela enfatizou que, da perspetiva de Timor-Leste, o seu ministério, em nome do Governo, irá fazer todos os esforços, via espírito de comunicação aberta, para acelerar o processo de negociação dos documentos relativos ao enquadramento legal do Regime Fiscal, ao Contrato de Partilha de Produção e ao Código Mineiro do Petróleo, para que se finalize a fase de discussão do desenvolvimento do projeto Greater Sunrise, previsto para o início do ano.
Questionado sobre o conceito de desenvolvimento do Greater Sunrise, Francisco Monteiro disse que a discussão “ainda está na fase inicial e ainda não há uma decisão final”. Salientando que, após Timor-Leste e a Woodside terem concordado com o estudo de seleção de conceitos, este fim de semana uma equipa da Austrália e da parceria irá reunir-se com a Autoridade Nacional do Petróleo e a Timor Gap para negociar o regime de enquadramento legal do plano de desenvolvimento do projeto Greater Sunrise.
“O processo vai continuar assim e no início do próximo ano ou pouco mais tarde saberemos qual a decisão da Woodside e das parcerias face à pretensão do governo de Timor-Leste de que o gasoduto deve ser no nosso território”, frisou o ministro.
Por sua vez, a Diretora-Executiva da Woodside afirmou que a sua parte está empenhada em trabalhar com os Governos de Timor-Leste e da Austrália, e com a parceria Timor Gap e Osaka Gas, para manter as discussões num espírito de colaboração e confiança mútua relativamente ao estudo de seleção do conceito para o desenvolvimento do campo petrolífero Greater Sunrise. “Chegámos ao ponto de trabalhar em conjunto, de forma colaborativa, com comunicações abertas e transparentes, para encontrar uma resposta que resulte em benefício para todas as partes envolvidas”.
A dirigente acrescentou que foi um ótimo encontro, uma vez que o governo timorense aprovou o conceito de estudo selecionado para o Greater Sunrise, o que permitirá às partes envolvidas começarem a desenvolver este trabalho. Sublinhou ainda que é necessário “avaliar diferentes conceitos de desenvolvimento dos quais se possam deduzir benefícios mútuos inequívocos”.
Vale a pena recordar que a Timor GAP tem uma participação no consórcio do Greater Sunrise de 56,56%, a Woodside (operadora) 33,44% e a Osaka Gás 10%. De acordo com o Tratado das Fronteiras Marítimas, se o gasoduto for para a Austrália, Timor-Leste recebe 80% das receitas e a Austrália 20%. Em Timor-Leste, por seu turno, este país recebe 70% dessas receitas e a Austrália 30%.
Notícia relevante: Francisco Monteiro confiante em resultados positivos nas negociações do ‘Greater Sunrise’
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




